por Inês Biu Faro

«(…) But I won’t let them break me down to dust I know that there’s a place for us for we are glorious, when the sharpest words wanna cut me down, I’m gonna send a flood, gonna drown ’em out I am brave, I am bruised I am who I’m meant to be, this is me. Look out ’cause here I come and I’m marching on to the beat I drum, I’m not scared to be seen, I make no apologies, this is me!» –This is Me – Keala Settle, in The Greatest Showman
Os fins de ano são também fins de ciclo. Ou esperamos nós que sejam, porque os finais antecedem novos começos. O meu ano de 2024 foi profícuo em finais de ciclos, daqueles que mais doem e nos rasgam até à alma, testando todos os nossos limites e todas as nossas forças.
Quando, há um ano, desejei para mim mesma que este fosse mais tranquilo e leve, desejei-o mesmo muito! Com muita força e fé de que conseguiria tornar o meu ano num jardim florido, em vez de numa floresta negra. Mas, pelos vistos, ainda tinha muitas lições para aprender — todas elas à bruta, quase todas em silêncio.
Dou graças por estar viva, por ter sido tão forte e resiliente, por ter descoberto de quem são as mãos que se estendem sempre para mim, as verdadeiras. Dou também graças por nunca ter tido pensamentos “e se…”, por ter tido o discernimento de procurar a ajuda certa e de me abraçar muito. Abraçar-me na dor e na alegria, nos grandes e nos pequenos passos. E, depois da tormenta, veio toda a alegria.
O ano de 2024 começou tranquilo, ainda que tivesse começado logo com algumas das lições que, no fim, se revelaram ser das mais difíceis.
O meu aniversário foi pacífico, rodeada de amigos, de braços dados com a minha mãe e com festa de família no coro da minha vida inteira. Tive, até, um recital onde pude cantar a minha “Ave Maria” preferida (Mascagni) e dedicá-la aos meus quatro avós, superando as lágrimas a cada frase cantada.
Depois começou um emaranhado de coisas que me deixaram completamente à nora.
Fui ignorando os sinais, porque não queria chatear-me, nem dar valor ao que achava que não o tinha. Até que rebentei e vi-me numa situação que nunca, em 35 anos, tinha vivido. Fui-me totalmente abaixo e fiz de tudo para aceitar que está tudo bem em não estar bem. Valorizei sempre a saúde mental, mas passei a valorizá-la ainda mais, sobretudo a minha, e comecei a priorizar-me. Comecei a ver algumas pessoas a afastarem-se e outras a aproximarem-se, incluindo na minha família… e doeu. Doeu como se a ferida fosse física. Ainda assim, lidei e fui resiliente — tenho-o sido sempre. Fui buscar força onde não sabia que a tinha. Fui buscar sorrisos, abraços e calor aos que me são verdadeiros e estão sempre comigo, aconteça o que acontecer. Fiz por ser feliz de uma nova maneira, a melhor delas todas: a dar-me prioridade.
Fiquei afastada do meu trabalho durante quatro meses e, quando voltei, voltaram os medos e as inseguranças. Felizmente, fui ouvida, respeitada, valorizada e cuidada. Mudei para melhor, para mostrar que mereço a confiança, a oportunidade e para provar que sou realmente capaz daquilo a que me propus.
Ao longo de todo este ano, foi a vida artística que mais me ajudou na transformação da saúde mental e de todas as outras peças que não estavam a encaixar-se na minha vida. A música e o canto foram realmente o que me salvou. Sou feliz no palco e nos bastidores, em grupo e a solo, com vestidos de gala e com fardamentos. A música devolveu-me todos os sorrisos que eu julgava perdidos em mim…
Sinto que devo um enorme pedido de desculpas a mim mesma, por ter fechado os olhos aos sinais, por não gostar de conflitos, por ter aceitado muito menos do que o que mereço. Afinal, todos sabemos que só amor não chega e, nesse campo, o ano também não foi feliz. Teve momentos felizes, sim, mas não foi feliz no geral. Espero que, em 2025, o seja.
Como disse no início, nem só de tristezas e dores foi construído o meu ano. Terminei o “refrescamento” de conhecimentos sobre o Tarot e comecei o 4.º ano de Astrologia. Se, com o Tarot, ajudo os outros, com a Astrologia ajudo-me a mim. E continuam a ser duas das coisas que mais feliz me fazem, desde que entrei neste mundo, há já 15 anos, tendo-se já tornado terapias de autoconhecimento e valorização pessoal, além da descoberta da minha intuição e de a alimentar com o dom que me coube de saber ler as cartas.
Foi também o ano em que descobri um curso de escrita criativa que, a par com a psicoterapia, me tem feito um bem que nunca pensei que faria e de que precisaria tanto. Com a emootiva, estou a conseguir recuperar o hábito de escrever todos os dias, seja o que for e onde for, e aceitar que está tudo bem se escrever no papel, no ecrã ou no teclado. Escrevo, e é o que mais importa. Aqui, deixo cair por terra todas as máscaras e sou eu mesma, de coração e emoções inteiros, a amar cada vez mais cada linha e parágrafo que escrevo. Cada emoção que exprimo. E, por ter uma orientadora e companheiras de escrita que me fazem sentir em casa, incluída e lida! Lida com o coração e não só com os olhos.
Deixei para o fim o que de melhor me aconteceu este ano. Graças à música, voltei a Itália 20 anos depois da primeira vez. Fui com os meus amigos cantar a Bolonha e a Ferrara. E foi tão bom conhecer novas cidades pelos meus próprios pés e mapas que, no início de dezembro, voltei a este país.
Viajei sozinha pela primeira vez — dez dias só para mim, em Roma. Descansei, passeei, olhei, falei! Descobri, em mim, uma Inês cheia de força, uma Inês incrível e tão criativa que se desenvencilha de qualquer embaraço, que dá pontapés aos medos e põe-se em marcha para passear. Descobri uma Inês que se ama e gosta de estar na sua própria companhia; que valoriza as suas escolhas, os seus gostos e as suas vontades, sem ter de agradar a ninguém, sem ter de se justificar. Descobri, em mim, uma Inês que não quero perder nunca mais. Orgulho-me mesmo muito de mim! De saber e sentir que sou capaz do que quiser! Tanto, que já só penso na próxima viagem que farei sozinha. Ou, melhor, comigo mesma!
Este texto não está propriamente alegre: o meu ano também não o foi. Tive muitas conquistas e vitórias pessoais, é certo, mas acabei por carregar uma mochila muito pesada. Quero agora largá-la e pegar numa vazia, esperando que este novo ano, em que já estamos, seja mais leve — muito mais leve do que este que acabou de ir embora.
Que 2025 seja tranquilo — é só isso que peço para mim. Não tenho de ser rica em ouro, mas que as minhas maiores riquezas não se percam; que os meus sorrisos, o meu olhar brilhante, a minha beleza, o meu coração cheio, o meu amor, a minha alegria de viver e os meus bons abraços não voltem a perder-se por causa das vicissitudes da vida. Sou mais e maior do que quando 2024 começou. Que esta nova Inês siga para 2025 e se fortaleça ainda mais. Continuarei cheia de força, lutarei contra os “nãos” e farei por dar cada vez mais prioridade a mim e aos meus sonhos. This is me!
Estando ainda em janeiro, ainda vos posso desejar a todos: um Feliz 2025 a todos quantos me leram, a todos quantos gostam de mim e me querem bem.