por Diana Rosa

Por vezes, aquilo que fica por dizer tem mais impacto na nossa vida do que as palavras proferidas.
Foram tantas as vezes que quis dizer-te “gosto de ti”, “és importante para mim”. Será que estas palavras teriam mudado a minha vida? A nossa história?
Será a vida de uma pessoa feita de um conjunto de meros acasos? Ou o nosso destino estará traçado à partida, como uma história previamente escrita? A forma como nos conhecemos, estarmos na mesma sala de espera, no mesmo dia, à mesma hora, fez-me acreditar que foi uma simples obra do acaso. Todavia o amor, que cresceu tão rapidamente como o amanhecer de um novo dia, leva-me a crer estar destinado a que assim seria.
Rapidamente iniciamos uma conversa como se fossemos velhos conhecidos, e a certeza de que voltaríamos a estar juntos era tanta como a necessidade que tínhamos de respirar. Éramos excelentes a falar sobre tudo e nada, mas, no que diz respeito aos nossos sentimentos, tínhamos muito para evoluir.
Nunca fomos capazes de partilhar o que sentíamos um pelo outro. O que nos fazia sentir orgulho da pessoa que tínhamos ao lado, bem como o que nos desagradava. Nunca fui capaz de te dizer como me fazias sentir, o bom e o menos bom. Talvez por ter receio de que não fosses corresponder da forma como eu achava querer e precisar. Talvez porque, se as palavras ganhassem voz, o nosso amor tornava-se real e isso era verdadeiramente assustador. Um amor assim cresce, mas cresce rodeado de muitas ervas daninhas.
Tudo isto fez despertar o meu lado sombra, aquele que eu sabia existir, mas que ainda não tinha tido oportunidade de conhecer. Não dizer o que sentimos torna-nos amargos, e uma bomba relógio em iminente detonação, capaz de provocar muitos danos. E assim foi. A explosão deu-se, só que para dentro, e eu fui ao fundo. Quis desistir de tudo, incluindo de mim mesma. Nesse momento eu soube que a nossa história tinha terminado. Os danos eram irreparáveis, e a única solução era o afastamento.
Foi muito doloroso, mas fez-me perceber que terei que ser mais corajosa, não ter medo de partilhar a minha verdade, com todo o respeito pelo outro. Estaria a nossa história condenada desde o início? Se assim era, qual o propósito? Talvez tivéssemos apenas de nos conhecer e amar, porque é assim que crescemos uns com os outros. Se foi apenas um mero acaso, então que os vindouros não sejam tão dolorosos.