Inês Biu Faro

por Inês Biu Faro

Partilhar:

Aos domingos dói mais. Não é só o corpo. É a mente, o coração, até a imaginação.

Aos domingos dói mais. Nunca os vi como sendo o início da semana, mas o final. Onde não consigo fazer quase nada, a menos que esteja planeado e me obrigue a sair de casa.

Aos domingos dói mais. Chegam a saudade, a carência, as memórias, as ausências — e as vontades de algo que não vou ter, de quem não mo dará.

Aos domingos dói mais. Pesam as pernas, a barriga, os braços e a cabeça… Ai, cabeça — o mundo inteiro numa pequena caixinha que consegue ser a coisa mais desarrumada de todo o Universo.

Aos domingos dói mais. As lágrimas caem mais vezes, ao longo do dia. As gargalhadas são difíceis de soltar, e os sorrisos forçados ou imaginados.

Aos domingos dói mais. E a vontade é de nada. Um grande nada para fazer. Só deixar o corpo ir e vir. Ficar no limbo da hibernação, ou acordada.

Aos domingos dói mais, e tu és incapaz de perceber onde erraste. Continuas a errar, a fugir à responsabilidade, às conversas e aos encontros. Mudas tudo para que fique à tua vontade e não respeitas a minha necessidade de esclarecer tudo.

Aos domingos dói mais. Tu voltas, como se não tivesses feito nada de mal, como se não tivesse passado tempo nenhum, entre os nossos encontros, e tudo continuasse a fluir como sempre fluiu.

Aos domingos dói mais, porque eu já não sou a mulher que conheceste. Sou mais, muito mais do que era. Vais querer sempre a mesma, a que dá colo, a que compreende, a que mima e dá amor…

Aos domingos dói mais, e tu queres um amor de domingo, deixar-me largada toda a semana e chegar aos domingos, como se nada fosse, como se não me doesse, magoasse e estraçalhasse.

Aos domingos dói mais, porque sei que te dei tudo de mim. Entraste e saíste da minha vida a teu bel-prazer, e eu aceitei cegamente todos os teus regressos até ao dia em que deixei de aceitar. Dei de mim mais do que alguma vez pensei dar a alguém, e tu brincaste, brincaste muito. E, pior, tomaste-me por garantida.

Aos domingos dói mais… Falta-te a responsabilidade afetiva e emocional. Eu também sou falível, mas tu tens falhado muito mais e, por isso, dói tanto… como nunca.

Aos domingos dói mais. Tudo dói mais… e eu não sou uma Esquecida de Domingo…

About the Author: Inês Biu Faro
Inês Biu Faro
Ainda não conhecia o abecedário quando começou a "escrever". Enchia cadernos com linhas "escritas" à sua maneira, com todos os seus contos de fadas e sonhos. Ao longo da escolaridade, aprimorou o gosto pela escrita e desde que se lembra que escreve diários. Não é fácil ser várias mulheres numa única e só os diários a compreendem, por falar consigo mesma. Escreveu, escreve e escreverá sempre com o coração, com emoção, de uma mulher para tantas outras, de um coração para tantos outros. Tem um manuscrito por editar. Será desta que sairá do forno? Esperemos que sim!

Deixa um comentário:

Também podes gostar de ler: