por Laura Almeida Azevedo

Faz falta um amor.
Um amor que altere a nossa vida. Um amor que faça a diferença. Um amor que nos marque, independentemente do tempo, mais do que qualquer outro.
Um amor que nos obrigue a fazer muito mais, a dar muito mais, a ser muito mais. Um amor que teste os nossos limites. Que seja uma descoberta e muito mais completa do que qualquer outra.
Sim, faz falta um amor.
Um amor que nos abrace com tanta força que nos pareça tirar o ar. Que nos faça acreditar que, de repente, já não saberíamos viver sem ele. Que nos ensine a viver numa agonia permanente e, em simultâneo, numa alegria exageradamente feliz, que só o amor sabe proporcionar.
Um amor que tenha tudo o que queríamos sentir, mas também muito mais do que julgávamos possível. Assim: genuíno, intenso, derradeiro, profundo e carnal. Que seja bom, mas que, por vezes, também seja mau. Para que seja tudo.
Um amor incapaz de ser moldado por nós. Porque é instintivo, emotivo. Porque precisa e reivindica, apesar de também dar. Porque vive descontrolado, apesar de ter a sua própria ordem.
Um amor que nos leve a sair da nossa zona de conforto e que nos confronte connosco: sem ornamentos, sem ilusões de sermos isto ou aquilo. De igual para igual. De forma transparente e inevitável. Um amor que nos obrigue a conhecer o melhor e o pior de nós.
Sim, faz falta um amor.
Um amor que até possa acabar quando menos queremos e ir embora da nossa vida — sem nunca ir, de facto, embora de nós —, mas que seja inteiro enquanto dura.
Sim, faz falta um amor.
Um amor que nos faça sentir vivos.
Excerto do meu livro “apetece(s)-me”
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Tão lindo !