por Inês Biu Faro

«Se um sonho cair e se quebrar em mil partes, não tenha medo de pegar numa delas e começar novamente.» – Flavia Weedn
Sonhar, sonhar, sonhar… Não há outra coisa que eu não faça o dia inteiro… Sonhar, sonhar, sonhar…
Ao longo de todos os meus anos de escrita, tem sido esta a temática que, a par com o amor, mais tem marcado os meus textos. Podem dizer que seja algo típico do meu signo – Peixes – ou até mesmo da minha aura mais espiritual, amorosa, fantasiosa e sempre nas nuvens. Já foram tantas as vezes que escrevi sobre sonhos, desde os meus próprios sonhos de vida, a descrever os sonhos que tenho durante a noite, até mesmo a escrever contos sobre sonhos – tenho uma colectânea, «Os Sonhos», que escrevo ao som de músicas variadas – e nunca cheguei realmente a pensar no que já fiz ou não fiz para os seguir e conquistar.
Recorro muito aos sonhos para fugir à realidade, aos momentos mais duros e, até mesmo, para matar saudades de quem mais falta me faz, de quem queria ter por perto e já não está.
Já sonhei muito com a maternidade, com jornalismo, com o futuro da minha escrita, com amores felizes para sempre. Já sonhei e continuo a sonhar, mas com alguns destes sonhos fiz as pazes, mudei-lhes o rumo ou, simplesmente, deixei-os cair por terra para não me magoar.
Fiz as pazes com a maternidade. Quando acontecer, ficarei super feliz. Se não acontecer, tenho o coração recheado de sobrinhos emprestados, que me dão tanto amor quanto aquele que lhes dou. Assim como quando canto com jovens mais novos do que eu, ou crianças, e a minha energia empatiza com as suas, acabando por me tornar mãe por afinidade. Só não cederei a pressões e vontades dos outros, porque tenho uma condição para realizar este sonho: ter um companheiro ao meu lado. Sei o que é ter pais separados e a dificuldade tanto deles como da(s) criança(s) que está no meio.
Do prazer da escrita veio o sonho de ser jornalista. Da minha curiosidade veio o sonho de ser jornalista de investigação, algo que se torna cada vez mais perigoso, dado o estado do mundo e da humanidade. Foi este o sonho que deixei cair por terra, não por falta de vontade ou de empenho, mas para sair de uma sombra e deixar de ser vista como a irmã de alguém e ser vista como eu mesma. Durante praticamente toda a minha vida, herdei escolas, professores e livros. Não queria que o ensino superior fosse uma continuação de todos os anos anteriores. Sim, eu sei que há mais universidades que têm esta licenciatura, mas, para seguir esse caminho, eu queria aquela. Ainda assim, afundar-me-ia ainda mais nessa sombra. Aos poucos, isso destrói-nos e eu não tive mais força para continuar esse caminho. Abandonei um sonho, mas não a escrita! Para não deixar a veia jornalística sem alimento, foi através da escrita que criei um jornal por brincadeira, «O Músico», e ofereci-o aos meus avós. Decidi, também, oferecê-lo aos meus «sobrinhos». Acabei por dar a volta ao sonho do jornalismo quando enveredei por outro caminho e outra faculdade, bem como quando descobri um emprego que não esperava conseguir ter e um mestrado que me piscou o olho. Ele ajudou-me a descobrir e a desenvolver outro sonho, que se tornou também uma grande paixão: juntar crianças e ópera, juntar os dois mundos que mais feliz me fazem – a par com a escrita e a leitura, claro – e lutar para que todas as crianças tenham direito a ouvir e ver ao vivo um mundo que ainda é tão restrito.
Quanto à escrita, o meu maior sonho é editar um livro, transcender as redes sociais e ter algo físico meu, vindo de mim, de tudo o que tenho escrito desde que me lembro. Esta é a minha história. Escrevo sobre quase todos os momentos da minha vida e posso, até, dizer que é uma autobiografia. É um manuscrito que cresce mais a cada dia e que não sei como estará quando finalmente o editar.
Se tenho feito por isso? Tenho. Já contactei pequenas editoras (ramificadas das grandes) para saber como se processaria uma edição de autor. Já cheguei a ter um mealheiro, mas perdi-o para uma emergência. O sonho não esmorece e o facto de querer reativar as minhas redes sociais de escrita é um passo para ficar mais próxima de o realizar. A partir do momento em que percebi que o que partilho sai do meu coração e chega a tantos outros, fico muito mais inspirada e com força para calar os medos e as inseguranças que, até hoje, tinham um lugar forte na minha mente – não se assustem, os sonhos também nos ajudam a calar estes medos.
Os «amores felizes para sempre» têm sido alguns ao longo da minha vida. Adotei o mantra de que «enquanto durar, é para sempre». Tento ser Inês’quecível e marcar tanto quanto sou marcada. Aceitar que não depende só de mim, que só o amor não chega e que, por isso mesmo, sonhar é maravilhoso, mas é preciso encontrar o fio do balão que nos une à terra e ao equilíbrio.
O facto de abandonar uns sonhos e agarrar outros não me prende aos que larguei. Não fico presa aos «ses». O passado não mudamos, o futuro depende das nossas escolhas e o presente é para vivermos sempre.
Ao mesmo tempo que partilho isto convosco, também quero incentivar-vos a fazerem o mesmo que eu: nunca deixarem de sonhar! Agarrem-se ao que de melhor os sonhos vos trazem e lutem por concretizar tudo aquilo de que têm vontade, seja atirarem-se de paraquedas, seja seguirem uma profissão que sempre quiseram, seja publicarem um livro! Não parem de sonhar!