Ana Cristina Gomes

por Ana Cristina Gomes

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Quero ser a Mulher que vive por inteiro. A que é inteira. A que não aceita metades ou migalhas. A que soube reconstruir todos os pedaços do seu ser. A que usou a cola do amor-próprio para se unir como una. Quero ser aquela que cresce com os erros. Que faz dos erros, alavancas. E das falhas, pontes até lugares de desconforto. A que vai buscar coragem às entranhas do seu inferno interno.

Quero ser a Mulher que quer aprender todos os dias. E faz aprendizagens das situações. Das boas e das menos boas. Que está de mente aberta e espírito aberto para receber mais e mais. Sejam lições, ensinamentos, insights, descobertas. A que morre se não estiver a aprender. Quero ser aquela que evolui. Um pouco mais. Todos os dias. A que tem um profundo orgulho no seu crescimento. A que reconhece quando lhe dizem «quem te viu, quem te vê». A autenticidade com que se mostra aos outros. A que procura incessantemente o seu lugar no mundo. Mas que se encontra com ela própria diariamente.

Quero ser aquela que não precisa de um dia para ser celebrada, honrada e respeitada. Que precisa de um dia no calendário para afirmar a sua identidade. A que não precisa do cliché do Dia da Mulher para poder crescer e ser aquilo que é. De tomar as rédeas à sua vida. De se não quiser casar ou ser mãe não é nem pode ser vista como a coitadinha.

Quero ser aquela que vive em verdade. Em verdade com o seu coração. Com a sua essência. A que preza a empatia. A que se respeita para ser respeitada. Quero ser aquela que ama e é amada. O amor é a urgência do nosso tempo. Levar o amor no sorriso. Na simpatia de um bom dia no autocarro. No desejar bom trabalho à senhora do supermercado. Quero ser honesta nos gestos. E deixar os fretes de lado.

Quero estar com quem está em sintonia comigo e com a minha energia. Quem me faça crescer mais. Amor que queira evoluir ao meu lado. Quero estar com quem possa conversar do tudo e do nada. Amigos que ouvem e não julgam ou criticam.

A Mulher é forte. Somos fortes. Eu sou forte. E juntas, somos mais fortes. Mas estamos a esquecer-nos da essência feminina que nos rege. O receber. Achamos que temos de fazer e ser tudo. Que não precisamos de ninguém. A que sobrevive e não vive. E pomos esse lado de recetividade de lado. Porque é como se fôssemos frágeis. Mas somos vulneráveis e é nesse lugar que mostramos o nosso poder.

Na minha caminhada tenho aprendido todos os lugares da Mulher, desde a menina ferida, à adolescente rejeitada, à humilhação. A dor do abandono. À que não se permitia ter prazer. Fechei a Mulher que tinha em mim. Para nesta jornada de transformação acordar-me, acordar a Mulher que sou. E que mágico amanhecer tem sido. A sentir-me bonita e sexy nuns ténis brancos. A valorizar-me. A afastar-me de pessoas tóxicas. A ter coragem de dizer não e colocar-me em primeiro lugar. A festejar as pequenas vitórias.

Quero ser a Mulher que diz «Eu sou! Eu sou isto». Eu sou esta Mulher. De corpo e alma. Que continua a caminhar para se cumprir. Para honrar o legado que a minha ancestralidade me deixou. E eu própria deixar um legado de amor.

Hoje amo a Mulher que sou! Hoje e todos os dias. Porque a cada dia sou aquilo que preciso ser. A cada dia sou um pouco mais quem vim ser. Um pouco mais do que preciso para me cumprir.

E é só isso que quero: SER!

About the Author: Ana Cristina Gomes
Ana Cristina Gomes
Nascida em 1982, quando ainda não sabia ler nem escrever, já rabiscava tudo o que eram livros. Depois apaixonou-se pelas palavras, aliadas que a ajudaram a superar uma depressão e a conquistar o amor próprio (essa história dava mesmo um livro). Também se licenciou em Comunicação Social para estar perto dos conteúdos. Começou pela poesia, tendo um livro publicado “Esboço de um sonho” e várias participações em coletâneas. Depois veio a prosa. Tem inúmeros textos publicados na sua página de Instagram e espera um dia poder compilá-los num livro, a par do outro livro que fervilha no coração.

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