Inês Biu Faro

por Inês Biu Faro

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Será seguro, nos tempos que correm, fazer sexo com o primeiro engate que apanhamos na noite ou até nas «dating apps»?

Com todas as informações e meios de comunicação que existem na nossa era, será o sexo mesmo seguro? Fisicamente, claro que pode – e deve – ser seguro! Desde métodos contraceptivos femininos a preservativos de todos os tamanhos e feitios, há todo um leque de escolhas para que a experiência corra bem.

E, emocionalmente, será seguro? Ou nos atiramos sem pára-quedas, ou somos mesmo bons a defender-nos das nossas emoções, ou somos só aventureiros e reagimos por instinto animal e desejo carnal.

Com a facilidade com que nos apaixonamos, qual é a probabilidade de não acabarmos presos ao parceiro que encontrámos para uma «one night stand»? E isto é válido para homens e mulheres. Eles caem tão facilmente numa cantiga feminina como nós, mulheres, numa masculina. Será emocionalmente seguro deixarmo-nos envolver só por uma noite, só por uns breves momentos de prazer? Será mesmo necessário correr esse risco, ou queremos só enganar a emoção e as hormonas que nos pedem amor com um pouco de loucura e sexo selvagem? E porquê deixar que um completo estranho satisfaça as nossas necessidades mais extravagantes? Não será essa uma violação de nós para nós?

Podendo esperar por uma pessoa de confiança, um parceiro que não seja só de sexo, de vida mesmo, um parceiro, namorado, marido, que não nos julgue e guarde para as paredes do quarto todas as extravagâncias que gostamos e que também partilha as suas extravagâncias — se é com essa pessoa que estamos comprometidos —, não sabe muito melhor sermos honestos e completos com essa pessoa? E sermos o que somos diariamente e aquilo que gostamos de ser no quarto, tudo, com a mesma pessoa, aquela que, depois de uma noite louca, nos vai acarinhar e continuar a respeitar, que não nos vai julgar e vai continuar do nosso lado?

Falando por mim, já tive sorte com as «dating apps». Foi lá que encontrei o Trovador e onde tive a sorte de ter feito amizades com homens com quem não tive química para além da amizade. Também passei pela fase em que precisava de descarregar energia e fui honesta com quem quer que me tenha cruzado e com o que queria. Era eu quem dizia que não era preciso voltarmos a entrar em contacto, que eu não queria mais. Por outro lado, já tive o azar de me «calharem» homens não tão honestos e que, depois de falsas promessas e de demonstrarem interesse em mim, na minha pessoa, em mim enquanto mulher e não só pelo que posso dar numa noite, «responderam» com o já famoso e terrível «ghosting»! O que, para mim, é uma tremenda falta de respeito.

Custa assim tanto assumirem que, apesar de tudo, afinal, só queriam uma noite de prazer? Não têm de justificar, mas apenas serem honestos, demonstrarem que têm bom carácter e são respeitosos, ou logo à partida ou logo depois quando se apercebem. É que eu gosto de saber ao que vou! E, se estou a pedir respeito, não estou a pedir demais. Estou a pedir o mínimo do relacionamento entre duas pessoas. Com o «ghosting», mesmo que tenham bom carácter quando começam as primeiras mensagens, só vão mostrar que, apesar de tudo isso, afinal não são assim tão bons rapazes. Desaparecer nunca é a melhor resposta, tampouco uma resposta adulta ou educada para com o outro. Dói mais – falando por mim – não ter qualquer resposta, quase que me sinto abandonada, do que ter uma resposta honesta, qualquer coisa como «foi óptimo, mas era só isto que queria». Não temos sequer de ficar amigos. Ainda assim, acho essencial demonstrar respeito.

É que eu sou forte, resiliente e tenho amigas que me dão sempre imensa força: «Não foste tu. Foi ele. Enganou-te. Não te desvalorizes.» Ainda consigo ouvir a Shakira cantar «una loba como yo no está pa tipos como tú!», depois de me ouvirem chorar e indagar o que terei feito de errado. Mas há quem não tenha estas amigas, ou quem não queira assumir que se enganou e entra numa espiral destrutiva. Mulheres e homens, estamos todos no mesmo barco das relações humanas. Estão a ver aonde leva o «ghosting» e o desrespeito? Aos problemas de confiança, autoestima e amor-próprio. A mais umas quantas sessões de psicoterapia para curar feridas que estes gatilhos apertaram. E podiam ser evitados tão rapidamente.

Mulheres e homens, se não têm disponibilidade emocional para mais do que um encontro fortuito, sejam honestos uns com os outros. Vão perder a oportunidade com outra pessoa que, se calhar, quer mais? Talvez, mas ganham mais em carácter e quem sabe acabam por encontrar outras pessoas que também não querem mais do que uma noite.

Depois de pensar nas emoções, em tudo o que uma relação humana e pessoal envolve, será mesmo seguro trocar um momento de paz, uma noite só com amigos, por uma escapadela? Será mesmo sexo seguro se implicar mexer com a nossa estabilidade emocional tão arduamente conquistada?

Claro que, por outro lado, também há os mais corajosos que se atiram sem medos, aqueles que já se tornaram especialistas em defender-se de si mesmos, das emoções, que sabem aquilo que querem e não se abrem a mais nada.

Eles e elas envolvem-se mecanicamente e não esperam um «liga-me depois». Satisfazem as suas necessidades e nada mais interessa — a não ser nunca mais se verem.

About the Author: Inês Biu Faro
Inês Biu Faro
Ainda não conhecia o abecedário quando começou a "escrever". Enchia cadernos com linhas "escritas" à sua maneira, com todos os seus contos de fadas e sonhos. Ao longo da escolaridade, aprimorou o gosto pela escrita e desde que se lembra que escreve diários. Não é fácil ser várias mulheres numa única e só os diários a compreendem, por falar consigo mesma. Escreveu, escreve e escreverá sempre com o coração, com emoção, de uma mulher para tantas outras, de um coração para tantos outros. Tem um manuscrito por editar. Será desta que sairá do forno? Esperemos que sim!

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