por Laura Almeida Azevedo

Não precisas de te esconder de mim.
Nenhum de nós é perfeito e todos temos as nossas fraquezas. Não fomos feitos por medida e, mesmo que o fôssemos, nada disso nos daria a garantia absoluta de não precisarmos de melhorar diversos aspetos da nossa personalidade.
Somos, pelo menos, autênticos. Guiamo-nos pelos sentimentos e temos este ardor na garganta.
Vivemos nesta ânsia de passar pela vida com a certeza de que vamos inteiros em cada passo que damos.
Amamos com o coração e deixamo-nos consumir por esta inevitabilidade de cometermos erros e por esta fraqueza de nem sempre conseguirmos aprender com eles.
As rugas vão surgindo e o passado já não tem só histórias boas que temos orgulho de contar num jantar de família. Também tem outras, das quais nos arrependemos.
É a lei da vida.
Sentimos esta ansiedade louca por viver cada segundo — apesar de nos dizerem que a idade nos torna mais brandos e que até nos tira a urgência.
Não tira. Ainda mete mais pressa em nós. Mete medo. Medo de morrermos agora. Medo de morrermos já — muito antes de fazermos tudo aquilo que tanto queremos fazer.
Porque há sempre coisas novas que queremos fazer — e mesmo daquelas que sempre quisemos só nos lembramos quando pensamos na morte.
Não precisas de te esconder de mim.
Nenhum de nós é perfeito. Eu não o sou. Ninguém o é.
Mas é a consciência disso que nos embeleza, assim como as histórias pelas quais passamos e das quais nunca nos vamos esquecer — apesar de termos esta necessidade de mostrar a nós mesmos que vamos inteiros, independentemente delas.
E até vamos. Vamos inteiros e cada vez mais cheios, cada vez mais nós e sempre com um bocadinho dos outros agarrado ao que somos.
Estou aqui porque tenho esta vontade de te amar pelo todo que és. Porque é isso que é o amor. E também me trago imperfeita. Não vês?
Excerto do meu livro “apetece(s)-me”
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Tão lindo e tão verdadeiro !