por Laura Almeida Azevedo

A vida tem de valer a pena. Todos os dias.
Tem de ter uma luz própria para desvendar caminhos atribulados e difíceis. Tem de ser capaz de descobrir momentos novos que nos façam sentir cada vez mais vivos.
Tem de nos aquecer por dentro. Tem de nos mostrar que sonhar é necessário e que nunca nos devemos afastar daquilo que mais queremos.
Quando não conseguirmos, quando falharmos, quando acharmos que não seremos capazes de continuar, a vida tem de ser capaz de encontrar um sentido até nas coisas menos boas. O erro e a derrota têm de trazer algo de positivo. Têm de nos tornar, pelo menos, pessoas mais cheias, pessoas melhores, com mais determinação ainda, com mais coragem e muito mais certas do que não queremos.
A vida não pode ser um vaivém de emoções sem sentido. Se a vida não fizer momentaneamente sentido, nós temos de lhe encontrar um. É a nossa obrigação: encontrar um motivo para continuarmos aqui, para resistirmos e lutarmos por nós. Para não nos entregarmos à tristeza, como se fosse apenas aleatória a inevitabilidade de a sentirmos — às vezes, é, mas não sempre.
Nada nos deve aprisionar. Nem à dor, nem aos outros, nem a nós próprios. A vida não nos pode incutir o medo de ser quem somos, de ser genuínos, de assumir o que queremos, de expressar o que sentimos — de sermos nós. A vida não nos pode privar dessa liberdade.
E também não nos pode intimidar só porque precisamos de mais tempo — e de fazer mais escolhas do que os outros — para sermos felizes. Se o tentar, é preciso levantar a cabeça e aceitar a diferença. Nós somos diferentes dos outros. Todos nós o somos e temos o nosso próprio ritmo. Todos cometemos erros. Todos precisamos de tempo. E a vida não nos pode fazer sentir vergonha disso, nem isso pode ter como consequência desistirmos do que nos faz felizes — só porque a felicidade é um caminho, feito de quedas, que leva tempo.
Essa liberdade de nos assumirmos como somos, de lutarmos pela nossa felicidade, é um direito que temos. E do qual devemos usufruir com consciência. Quando essa liberdade não nos for dada por algum motivo, é urgente exigi-la, reivindicá-la. E ela vive nos pequenos instantes que podem, quase por magia, mudar a nossa vida.
Essa vida que tem de ferver no peito. Que tem de nos abraçar. Que tem de nos estender a mão para ir connosco à descoberta do mundo e do que este (ainda) tem para nós. Essa vida que sorri.
E nós, apesar de nem sempre termos vontade, devemos aprender a sorrir-lhe de volta — mesmo que isto seja uma forma de dizer que, também nos dias maus, nos dias em que o chão se abre e o céu se veste de negro, não nos devemos esquecer de que continuamos a ter muitos motivos para sorrir.
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