por Diana Rosa

O tempo, esse substantivo concreto, que de concreto nada tem. O tempo consegue ser muito relativo. Se, para uns, pode ser o melhor amigo, para outros pode ser um ladrão de sonhos.
Quantas vezes sonhamos alcançar algo, e o passar do tempo só revelou fracasso? Quantas vezes esperámos que a dor, que nos dilacerava o coração, fosse curada pelo tempo, e esse momento nunca chegou? Quantas vezes nos disseram que o tempo seria o melhor conselheiro, mas a verdade é que a decisão tomada não foi a acertada?
No entanto, o tempo traz serenidade a quem espera pacientemente a tempestade passar, e pode ouvir ao por do sol, o leve rebentar das ondas na areia. O tempo traz sabedoria a quem lê uma obra prima até ao fim. O tempo traz respostas a quem faz todas as perguntas, as certas e as erradas. O tempo ensina a quem abre os braços à vida e aceita correr todos os riscos.
O tempo é ingrato para quem espera toda a vida por aquele beijo e não consegue sentir-lhe o sabor. O tempo é injusto para quem tem um sonho e nunca tem a coragem de o tentar alcançar. O tempo é triste para quem luta e não consegue vencer a batalha.
As horas, os dias, os anos que nunca mais passam, e aqueles que passam como se fossem uma rajada de vento, quase não se dando por eles. O tempo que passou e que já não volta mais. Assim são os dois lados do tempo, doce e amargo.
Olho para os ponteiros do relógio, que deslizam a correr, e pergunto: que tempo é este que passou depressa demais? Eu não quero que passe apenas por mim, como uma mera espetadora. Quero mais. Quero ser matéria do tempo, deixando, neste universo, a minha marca.
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Tão lindo !