por Rita Gonçalves

O mundo precisa de amor, mas, sobretudo, de empatia.
Em tempos de guerra, a evolução parece-nos insignificante. Fomos para o lado errado do desenvolvimento? Não me parece. A mentalidade não acompanhou a evolução tecnológica e o perigo é esse. Fugimos da saúde mental numa correria pela distribuição do melhor smartphone do mundo. Somos mergulhados em feeds perfeitos, scrolls infinitos e reels de felicidade artificial. O único filtro que nos parece apaziguar a alma é mesmo o do cigarro, num encontro a sós com o nosso pensamento depressivo e aquém da realidade do retângulo que transportamos na palma da mão.
Seremos mais fortes do que tudo aquilo que criamos, ou iremos ser engolidos pela imensidão dos pixels? Deixamos morrer a empatia por detrás dos ecrãs. Vemos a guerra ao longe, pensando que nunca se fará perto. Vamos banalizando as imagens de destruição do outro lado do mundo para viver o nosso dia a dia. “Mais um tweet, do alto dos meus 20, para dizer ao mundo que sei de tudo. Só não sei de mim.”
Não sei o destino final das gerações futuras. Sei que a minha geração vive guerras herdadas, luta pelas causas que desconhece e morre num presente que deveria ser o futuro brilhante.
A empatia, sempre a empatia — aquela que, aliada ao amor, pode ser a combinação perfeita para reconhecer que o outro sou eu, que o sítio onde estamos e onde somos é de todos. Porque viver as guerras dos outros será sempre mais construtivo e frutífero do que viver apenas as felicidades instagramáveis.
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Muito bom e verdadeiro !