Inês Biu Faro

por Inês Biu Faro

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Nos tempos que correm, há cada vez mais movimentos, associações, pequenos e grandes nomes do país e do mundo que defendem as mulheres, que defendem os seus direitos, que respeitam a cultura de cada país e tentam que nenhuma delas seja injusta para com as suas mulheres. Defendem, sobretudo, o direito à igualdade, enquanto seres humanos, relativamente aos homens.

Estas associações e movimentos tentam também educar as populações, para que se entenda que o feminismo não é dizer que as mulheres são mais do que os homens — muito pelo contrário, somos todos iguais, mulheres, homens e toda a comunidade LGBTQIA+. Tudo isto cresce cada vez mais. Há cada vez mais pessoas bem informadas e que querem realmente lutar por um mundo mais justo. Ainda assim, toda esta luta não valerá de nada se não se promover também a sororidade!

Quando as mulheres começaram a unir-se para lutarem pelo direito de voto, pelo direito de serem escolarizadas e terem acesso ao ensino superior, e até mesmo quando lutaram para terem direito a ser mães por inteiro, terem as custódias dos filhos, terem direito a abortar — enfim, todas essas lutas, que vêm desde o século passado, tinham um fundo de sororidade! Podiam nem sequer ser vizinhas ou nunca se terem visto na vida, mas o facto de lutarem por objetivos comuns fazia com que elas se unissem, gostassem umas das outras. Todas as lutas faziam com que todas sentissem que juntas eram mais fortes e seriam irmãs de armas. Mesmo depois dos objetivos alcançados, continuavam unidas.

Hoje em dia, com o surgimento e crescimento das redes sociais, parece que a sororidade desapareceu! Proliferam os casos de assédio e violência física contra mulheres, quer em casa, quer ataques na rua, quer nas escolas e faculdades, quer nos empregos. E, quando todos esses casos e problemas são expostos, os comentários mais ordinários vêm de mulheres! São as primeiras a insultar as suas congéneres, a não sentir as suas dores, a não se pôr nos lugares umas das outras. Atacam, sem dó, nem piedade, apenas porque estão à frente de ecrãs!

Também se fala muito de bullying em qualquer idade e é incrível a quantidade de mulheres que fazem mal umas às outras. Para quê? Para quê tanta inveja? Juntamos a isto as campanhas publicitárias de qualquer tipo de produto feminino, que nos fazem crer que nos vestimos e arranjamos umas para as outras e não para nós próprias. Quanto tempo duram as campanhas sobre amor próprio, mulheres reais e apoio feminino, seja qual for o corpo que usa as marcas? Quase nenhum e depois caem no esquecimento e quase todas voltam à invejinha que conhecem. E o primeiro exemplo é quando veem alguém com a mesma roupa: «Não podem ver nada!» ou «Estúpida! Está com uma camisola igual à minha!» E coisas piores, em vez de pensarem que as grandes marcas produzem em massa e que, se quiserem pensar no quer que seja, podem começar por pensar: «Tenho uma camisa igual. Olha, que bom gosto!»

Indo mais longe, o julgamento perante as diferenças culturais. Umas dizem que a burka torna as mulheres completamente obsoletas e objetos nas mãos dos homens. Outras acham que para andarem com tão pouca roupa é porque são obrigadas pelos homens. Não se pode falar de um lado e do outro sem realmente perceber tudo. Até porque, antes de tudo isso, há lutas bem mais importantes para as mulheres, que vão além de roupas.

As mulheres esquecem-se, cada vez mais, de que deviam unir-se para se manterem iguais, que é isso que as fortalece para as lutas. E, por muitos homens que haja a insultá-las, quando dizem que o seu lugar é na cozinha e a cumprirem os “deveres conjugais”, sendo leais, fiéis e cumpridoras, há muito mais mulheres “julgadoras de bancada”. Não digo que tenham que deixar de ser anónimas quando fazem as queixas. Isso é uma maneira de se protegerem, claro, mas, se têm coragem de fazer uma partilha do que sofreram ou do que pretendem melhorar, as outras mulheres não deviam mandar abaixo, nem culpá-las por serem vítimas.

Deviam todas voltar a ler sobre os primeiros movimentos sufragistas! Quando era tudo muito mais difícil do que agora. Atualmente, parece que tudo é mais perigoso do que há 100 anos. Infelizmente, o mundo tecnológico contribui para que sejam cada vez mais egoístas umas com as outras. O Mundo está cada vez mais moderno, mas as mulheres regridem cada vez mais! Se temos os mesmos objetivos e lutamos por um mundo melhor e mais igualitário, devemos ser mais amigas e irmãs e menos brutas umas com as outras!

 

About the Author: Inês Biu Faro
Inês Biu Faro
Ainda não conhecia o abecedário quando começou a "escrever". Enchia cadernos com linhas "escritas" à sua maneira, com todos os seus contos de fadas e sonhos. Ao longo da escolaridade, aprimorou o gosto pela escrita e desde que se lembra que escreve diários. Não é fácil ser várias mulheres numa única e só os diários a compreendem, por falar consigo mesma. Escreveu, escreve e escreverá sempre com o coração, com emoção, de uma mulher para tantas outras, de um coração para tantos outros. Tem um manuscrito por editar. Será desta que sairá do forno? Esperemos que sim!