por Sónia Brandão

Por breves momentos, imaginei-te…
Por meros segundos, criei toda uma vida com a tua presença nela…
Por longas horas, questionei o porquê…
Por dias, criei na minha mente uma realidade alternativa, longe da realidade…
Mas, dias depois, voltei à realidade.
Nas semanas que se seguiram, deixei de pensar em ti como real.
Na vida que corre sem esperar, deixei de encontrar explicações para o inexplicável.
Mas continuei a imaginar-te.
Continuei a vida como se nada tivesse acontecido.
Continuei o meu caminho e tu tornaste-te um pequeno ponto na memória.
Na memória que aparece tarde da noite, quando o sono não chega e a escuridão nos dá o poder de camuflar as verdades.
Não achei que me atormentarias aí.
Mas foi nessa escuridão que eu criei a mais bela história sobre ti.
Foi lá que criei a tua imagem.
Foi lá que vi o teu sorriso.
Foi lá que imaginei a tua vida.
Foi lá que te apresentaste.
O momento passou.
E deixei de te ver.
Deixei de te tornar real.
Porque a realidade traz-te.
A realidade vai suplantar toda a minha mente e criar-te.
O momento chegará.
Tu virás.
E serás quem tiveres de ser, sem que a minha imaginação te transforme na perfeição que quero.
Serás somente o ser imperfeito, perfeito para a vida que te aguarda.
O segredo mais bem guardado será sempre a tua chegada, tal como as estrelas que vêm sem avisar, aparecem e iluminam a vida de todos. Tu irás chegar e dar um novo motivo para sorrir a alguns de nós.
Continuarei a imaginar…