por Inês Biu Faro

Confesso que, até há bem pouco tempo, eu não conhecia sequer o termo «saúde emocional». Naturalmente, sabia que temos a saúde do corpo e a saúde da mente, mas foi quando comecei a fazer psicoterapia que entendi que há muito mais do que o físico e o psicológico. Há realmente o lado emocional, e é preciso cuidar das minhas emoções com a mesma preocupação com que cuido de tudo o resto.
Tendo em conta que é através da criatividade que melhor tratamos as nossas emoções, nada mais certo do que voltar a escrever – depois de uma breve paragem entre 2021 e 2023. Assim como pintar as minhas mandalas, cantar com mais afinco e estudar novas árias, enquanto autodidata. Aliás, foram a escrita e as mandalas que me salvaram a mente quando, há cinco anos, fomos obrigados a abrandar e até mesmo a parar as nossas vidas e a adiar sonhos.
Com esta ajuda profissional, voltei a criar a feliz rotina de escrever todos os dias no meu diário, quer nos meus lindos cadernos, quer no formato digital, assim como continuar a escrever os meus testemunhos e crónicas. Abrir um caderno ou o computador, todos os dias, e deixar os pensamentos saírem à sua vontade tornou-se num hábito de que já não descuro ou prescindo.
Dito isto, é mais do que claro que a saúde emocional é extremamente importante para mim, uma vez que nem sempre fui boa para comigo mesma. Emocionalmente, não sabia alimentar-me sozinha, esperava sempre pelo(s) outro(s), deixava-me alimentar por migalhas, sem conseguir dizer que não me chegava, que queria e precisava de mais. Dava tudo de mim; do outro lado vinha o que se conseguia dar, e eu aceitava, resignada. E, assim, fui descurando mais e mais, procurando conforto, soluções rápidas de satisfação e adrenalina – com comida, com compras por impulso e um sem-número de chamadas de atenção para o outro lado. Tudo sem me aperceber de que esses prazeres eram apenas momentâneos e pouco ou nada duradouros.
Já perdi a conta às aprendizagens dos últimos dois anos e ao quanto tenho descoberto sobre as minhas próprias emoções e, sobretudo, ao facto de as esconder de mim mesma. Foi quando aterrei em Roma, completamente sozinha, durante dez dias, que dei conta de que há muito mais em mim do que aquilo que julgava e de que todas as emoções são válidas, que posso chorar de alegria, rir de raiva, não sentir empatia por alguém próximo ou tê-la por um completo estranho.
Tenho aprendido que o meu maior amor é aquele que dou a mim mesma, que, se não me amar profunda e maravilhosamente, não poderei esperar que me deem o mesmo. Tenho aprendido que eu me basto! Aprendi a respeitar o meu desconforto e, por isso mesmo, a fazer por ficar confortável, mesmo que implique perder ou afastar-me de alguém – será o reflexo do outro e não de mim.
Estou a aprender a não me calar. Os outros não adivinham o que eu estou a pensar e, se eu não disser, nada acontecerá! No fundo, estou a aprender a cuidar-me, a baixar a guarda e a compreender que é quando mostro vulnerabilidades que me torno mais forte. É quando falo sobre as minhas fraquezas que as fortaleço e fico eu, também, mais forte. Descobri, ainda, que muitas vezes me sinto «cheia de água». O que faço eu? Choro! Só porque sim, para me limpar, para me sentir grata pelas emoções que existem em mim, que as respeito e que cá dentro bate um coração tão sensível quanto forte, e que não é vergonha nenhuma pedir colo quando é preciso. Pedir ajuda, precisar de ajuda para encontrar a luz aqui dentro e deixá-la brilhar para mim, tanto quanto brilhar para os outros.
Curioso como sempre fui a mais empática das pessoas que conheço. Vivo fervorosamente as minhas emoções, embora haja – e tenham havido – momentos em que tenho vergonha de as mostrar e me faça de forte. Tendo ganho esse hábito menos bom ao longo da vida, sei soltar as minhas emoções – nem sempre nos melhores momentos, confesso –, mas, ao mesmo tempo, também tenho aprendido a equilibrá-las, porque, ao contrário do que pensava, sou mais racional do que emotiva – que estranho! (risos) Será mesmo? Estou a viver essa aprendizagem. Estou a aprender a não render as minhas emoções por tudo e por nada. Estou a entender que, se sempre cuidei tão bem da saúde emocional de quem me rodeia, também tenho de o fazer por mim mesma. Receber, entender, questionar e integrar tudo o que as minhas emoções me mostram de mim mesma. No caminho que tenho percorrido nos últimos meses, tenho aprendido a cuidar da minha saúde emocional em primeiro lugar. Porque «se eu não gostar de mim, quem gostará?»
Não há medicamentos que cuidem dos nossos corações emocionais. Há, sim, estratégias. Há pensamentos positivos. Há amor – próprio e dos outros. Há conforto e aventuras. Há vontade de estar bem, vontade de ser feliz, vontade de ter as emoções equilibradas e de respeitar tanto os momentos de sorrisos, como de deixar as lágrimas rolarem pela cara, quando estamos cheios de água.
Não há medicamentos, mas há abraços, sorrisos, conversas boas, gargalhadas. Há atividades – físicas ou não – que nos ajudam a sermos mais conhecedores das nossas emoções, mais do que isso, a sermos mais bondosos com os nossos corações.
A Inês das Emoções é, cada vez mais, uma Inês do Coração, uma mulher maravilhosa que sorri e chora com igual facilidade. A Inês das Emoções é cada vez mais uma bolha de emoções que vale a pena conhecer.
Eu estou a conhecer a Inês das Emoções e do Coração. E vocês, conhecem as vossas emoções?