Marta Almeida

por Marta Almeida

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Olá, meu amor! Talvez aches estranho chamar-te de amor. Normalmente, não me trato a mim própria assim. Talvez seja levada pela saudade que tenho de ti, da Marta pequenina, cheia de esperança no futuro, dúvidas no presente e um sentido aguçado de justiça.

Vou começar por dizer-te que vai correr tudo bem. Todos os teus medos de momento vão dissipar-se com o tempo. É verdade que darão lugar a outros, mas desconfio que também esses vão indo com o passar do tempo e o crescimento da consciência.

Quero dizer-te também que sempre tiveste razão: não é por uma pessoa ganhar mais idade que passa a entender melhor os «assuntos sérios». Continuo a achar que todos os adultos estão enganados em relação a esse ponto.

Não te tornaste artista, nem fotógrafa, nem pintora. Lamento… a verdade é que colocaste as artes um pouco de lado. Sim, chegaste a tirar um curso de fotografia e um de pintura, mas, depois, nem sei… foste andando noutras direções. Também não trabalhas em organizações para ajudar os desfavorecidos. Nem fazes os anúncios que passam na televisão. Desculpa-me, a vida levou-te para outros lugares. Talvez, em momentos em que o racional ganhou mais força do que o emocional, deixei-me levar por «é suposto» ou «é mais seguro por aqui». Mas vais gostar de descobrir que, apesar de não trabalhares com o que imaginas, agora, em pequena, nos momentos-chave voltaste a seguir o teu coração. A tua bússola interna continua cá. Às vezes, perdida, mas, quando encontrada, intacta.

Falo muitas vezes de ti, sabes? Em palestras, onde tento trazer consciência a outros adultos e dar esperança de uma vida melhor. Falo do nosso sonho de tornar o mundo um lugar melhor. Pergunto aos outros se a criança que foram está orgulhosa de em quem se tornaram. A primeira vez que fiz esta pergunta, há uns anos, achei que não estarias orgulhosa de mim. Desde aí que tenho vindo a trabalhar no sentido de estarmos alinhadas. Acho, sinceramente, que estarias orgulhosa de nós. Com tantos erros pelo caminho… mas com tantas correções também.

Quero dizer-te que encontraste amor nesta vida. Aquele amor que vais procurar a partir da adolescência e que, por vezes, te vai parecer partido ou distante. Vais encontrá-lo num parceiro de vida, inicialmente com a ideia de que o amor se completa com outra pessoa, para mais tarde concluíres que ele está completo em ti. Os outros acrescentam, mas não preenchem o que já está preenchido. Vais encontrar outro tipo de amor, de uma dimensão que ainda nem imaginas existir, aos 30 anos, quando te tornas mãe pela primeira vez. E depois, de novo, aos 33. É verdade. Terás dois filhos incríveis, dos quais te sentes tão orgulhosa. Esse amor será maior que tu própria.

Sabes, Marta, às vezes, ainda te encontro em mim. Quando falo com o Universo e peço que algo aconteça, quando caminho sozinha em silêncio e me lembro do percurso a pé até à escola, quando tento perceber o que eu sinto, quando choro num filme ou quando apanho uma flor. Lembras-te que apanhavas sempre flores a caminho de casa?

A verdade é que o tempo passa rápido e, por aqui, ainda não inventaram uma máquina do tempo para poder visitar-te de forma mais real. Talvez nunca a inventem. Talvez não seja preciso.

Quero agradecer-te! Por teres tido a coragem de sempre seres quem eras. Fiel a ti mesma. Talvez agora não te pareça assim, mas, olhando para trás, sei que o foi. Exatamente assim. Obrigada! Isso deu-me a base para ser quem sou.

Até já! Não te preocupes que eu encontro-te!

About the Author: Marta Almeida
Marta Almeida
Idealista desde sempre, adora o poder que cada tem para activar a sua voz. A escrita é apenas uma forma de o fazer. Licenciada em comunicação empresarial, foi redatora de publicidade, diretora de marketing e chegou a ter um bar/galeria. Hoje trabalha com Marketing Social, ajudando pessoas a conquistarem a sua vida de sonho. É mãe do Francisco e da Mafalda e escreve de vez em quando para arrumar pensamentos.

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