Sónia Brandão

por Sónia Brandão

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Os momentos mais felizes da nossa vida raramente são planeados ou preparados por nós.

A espontaneidade do destino dá-nos sempre momentos inesperados e, eventualmente, felizes.

Como não podia deixar de ser, tu és um desses momentos.

No passado, tentava, de alguma forma, preparar-me para o que viria a seguir. Procurava a segurança das relações que representavam aquilo que eu julgava ser seguro, mas tu chegaste e tudo desapareceu.

Vieste no meio da tempestade, representando aquilo que parecia ser uma brisa calma e serena, mas não.

No início, trouxeste o sorriso espontâneo nas mais impróprias situações. Provaste-me que poderia ser descontraída e parvinha sempre que assim me predispusesse a isso, sem que a minha essência desaparecesse.

Tornaste-te num lugar seguro, onde eu podia existir, sem que a tua censura aparecesse — porque nunca existiu lugar para ela.

Deixaste-me ter as rédeas da relação, desde a mais básica das amizades até te tornares o meu mais profundo confidente.

Entre a tua chegada e a tua permanência, vivemos momentos de sorrisos cúmplices, de olhares cheios de tudo o que nenhum de nós estava preparado para verbalizar.

Ao contrário das minhas expectativas, tudo foi demasiado rápido. Tu sempre foste uma ventania que parecia ser uma leve e prazerosa brisa. Entraste na minha vida e nada ficou como antes.

Transformaste-me noutra pessoa.

Provavelmente a pessoa que sempre quis ser, mas poucas vezes tive a coragem de deixar existir.

Transformaste-me em quem deveria ter sempre sido.

Deixei de me esconder no silêncio e transformei-o em gritos ruidosos do que queria dizer. Aprendi a falar sempre que o silêncio me feria. 

Aprendi a existir perante os outros sem o medo da censura dos mesmos, porque sabia que tu estarias sempre lá.

Aprendi a ser eu.

E, no meio de tudo, apaixonei-me por ti. Por nós.

Aprendi contigo a viver, sem desesperar pelo futuro; a apreciar o presente, sem a pressão do «se».

A maior descoberta, neste período de tempo, foi sobre mim — sobre quem eu sou sozinha — porque, depois de o descobrir, tu chegaste.

Chegaste e mostraste-me que eu poderia ser a mesma contigo ao meu lado, sem espelhos, máscaras ou irrealidades.

Podia ser eu.

E continuar a ser tua no processo.

O controlo sobre nós e sobre as pessoas que fazem parte da nossa vida é necessário, mas as surpresas de quem chega e constrói algo inesperado são tão necessárias.

Porque só assim estamos aqui.

Porque só assim existimos — contra todas as probabilidades do inesperado.

Porque sempre fomos algo digno de ser olhado, de ser visto, de ser compreendido, de existir.

A dupla improvável, mas vibrante, apaixonante, cúmplice.

Um homem e uma mulher que se amam, que se respeitam, que se compreendem, que se perdoam sempre que tal é necessário.

Sorri. Continuo aqui.

About the Author: Sónia Brandão
Sónia Brandão
Apaixonada por palavras, aprendeu, desde nova, a criar realidades paralelas na sua mente — onde tudo era possível. "Amor de Perdição" foi o primeiro livro que leu. Tinha 13 anos e foi a mãe que lho sugeriu para se ocupar. Desde então, nunca mais parou de ler. Durante alguns anos, no entanto, parou de escrever: sentiu que tinha deixado de fazer sentido. Mas o confinamento fê-la regressar à escrita com mais força e determinação. Este ano, surgiu a vontade de partilhar com os outros o que coloca no papel.

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