por Daniela Rodrigues

Chegamos a meio do ano que corre. Se os presságios para este ano eram bons… a caminhada até aqui tem deixado muito a desejar. Por mais que ainda continue em pé, este ano parece estar a querer testar-me todos os limites.
Este ano começou no meio das esperanças e tentativas de concretização de um sonho, um desejo, que fazia parte de mim, da caminhada que tínhamos iniciado ainda no ano anterior. Chegou a boa nova e a alegria, mesmo que também envoltas em medo e insegurança. Era a nossa vez. Mas a vida tinha outros planos, deixou-nos apenas com meia dúzia de dias alegres e, depois, veio em forma de dor e palavras frias, diagnósticos que demoraram a acertar e a confirmação de que não havia nada a festejar, mas, sim, a lamentar.
Este ano deixou, em mim, um vazio e uma cicatriz que me vão lembrar, todos os dias da minha vida, aquilo que podia ter sido diferente. Podia ter sido feliz, mas o sonho ficou no meio do caminho. Literalmente.
Os dias continuam a passar, as vidas continuam a correr e eu sinto que continuo a carregar, dentro de mim, a possibilidade do que poderia ter sido. Por vezes, dou por mim a pensar em que etapa estaria agora, em como seria… e, sim, isso custa mais do que aquilo que me custou naqueles dias iniciais. Mas a vida segue, embora tenha ficado uma vida pelo caminho.
Tentamos regressar ao caminho de antes, à esperança, aos planos. Mas, enquanto procurávamos recuperar o equilíbrio, o chão voltou a fugir-nos dos pés.
Sabem quando pensamos que temos uma certa estabilidade? Um trabalho, um contrato de efetividade, horários e rotinas (mais ou menos) definidos, uma casa… e alguém decide que o primeiro tem de ser arruinado? Quando começávamos a acreditar que o pior já tinha passado, chegou outra notícia capaz de abalar os alicerces daquilo que julgamos seguro.
Tudo o resto, os sonhos, os planos, os objetivos, tem de ser colocado em pausa. Ou encerrados e esquecidos. Embora haja sonhos que não se calam, resta-me deixá-los sufocados lá num cantinho, quase escondidos, pelo resto da vida, ou antes, se a vida o permitir.
Os dias continuam a passar… e há coisas que se mantêm. Aos pouquinhos, vou voltando a escrever. Quase me tinha esquecido como escrever também ajuda a curar. Claro que as feridas não desaparecem, mas é na escrita que encontro uma forma de as ajudar a cicatrizar, mesmo que ainda deixem marcas. Escrevê-las sempre foi uma boa forma de as compreender e aceitar, de aprender a seguir em frente e torná-las mais leves. Sei que ainda carrego comigo a mágoa do que perdi e uma revolta com todas as coisas menos boas nesta caminhada que tenho feito. Mas também sei que isso vai passar para segundo plano, em algum momento.
A vida segue e ainda falta mais meio ano, o outro meio caminho que ainda falta percorrer. Tenho planos e objetivos, mil e uma ideias e tantos outros projetos. Dizem que, quando se fecha uma porta, se abre uma janela. Resta esperar para ver se essa janela terá uma boa vista e se valerá a pena ter «perdido» a porta que se fechou, não por vontade própria. Parece que algumas coisas se vão recompondo.
Dizem que «33 é a conta que Deus fez». Acho que esperava que os meus 33 anos fossem de meses realmente abençoados por coisas boas. Mas parece que não eram esses os planos que estavam escritos para mim. Têm sido meses de lágrimas e sorrisos, provas de resiliência e paciência, dias de caos e sentimentos contraditórios, novas oportunidades e possibilidades de evolução, perdas e sonhos em movimento, ainda…
Metade do caminho já foi percorrido. Se pudesse mudá-lo, é óbvio que o mudava e que evitava a primeira grande perda, mesmo que isso não estivesse nas minhas mãos. Só que ainda não tenho o superpoder de mudar o passado. Por isso, vou tentar que o futuro chegue mais leve, na medida do possível, naquilo que eu puder controlar.
Desejem-me sorte! E que, no final deste ano, possa dizer-vos que, apesar de ter começado triste, terminou bem mais alegre, preenchido e realizado. Porque há sonhos que ainda vou a tempo de concretizar.
P.S: Mesmo que a primavera já não venha agora, vou continuar a aguardá-la pelo resto da minha vida e lembrá-la-ei todos os anos daqui em diante.




