por Sofia Pereira

Há dias em que tudo o que eu queria era ficar na cama, abraçada ao silêncio, longe do peso do mundo. A cama parece o único lugar onde estou protegida, o meu porto seguro, onde nada me pode magoar. Mas, mesmo assim, lá encontro força para sair, para enfrentar o dia, mesmo quando o coração está apertado. E é assim, entre a luz e a escuridão, que tenho aprendido a viver.
Aprendi a dizer não ao não. Aprendi a não deixar que as vozes negativas me digam quem sou ou até onde posso ir. A vida já me mostrou tantas vezes que o caminho é difícil e tortuoso, que há dores, espinhos e momentos de solidão. Mas também me ensinou que a felicidade nasce de dentro e cresce com o amor das pessoas certas. As minhas pessoas-luz.
Descobri, muitas vezes à custa das lágrimas, quem são os verdadeiros amigos. Descobri que há amores que não têm vergonha de se mostrar, que o sangue nem sempre significa família, e que até quem menos espero pode surpreender-me e aquecer-me o coração.
Já chorei sem medo, já disse «amo-te» a quem talvez não merecesse, mas nunca me arrependi de sentir. Já ouvi muitos «não podes», «não vais conseguir», «isso não é para ti». Mas recusei guardar esses nãos dentro de mim. Prefiro transformá-los em vontade, em coragem, em esperança.
Mesmo nos dias mais cinzentos, há sempre uma luz a brilhar dentro de mim. Já vi amigos transformarem-se em estranhos e inimigos darem-me a mão. E percebi que a vida é feita destes contrastes. O que importa é não desistir, é não deixar que o «não» dos outros cale o meu «sim» à vida.
Dizer não ao não é o que me salva, o que me faz continuar, mesmo quando tudo parece difícil. É este não ao não que me permite crescer, aprender e acreditar que, no fundo, tudo vale a pena.
Por isso, sigo em frente. Com cada não que recebo, renasce em mim uma vontade maior de continuar a lutar e a vencer. E, enquanto souber dizer não ao não, sei que estarei sempre a aprender e, acima de tudo, a viver.




