por Sofia Pereira

Há lugares que não se constroem com paredes, mas com pessoas. A emootiva é um desses lugares. Um lugar onde as palavras encontram abrigo, onde as emoções têm espaço para existir e onde a vulnerabilidade nunca é vista como fraqueza, mas como um ato de coragem.
Escrevo-vos hoje de coração cheio. Porque, mais do que uma plataforma, vocês criaram uma comunidade. Um lugar onde sabemos que podemos chegar exatamente como estamos: felizes, cansadas, perdidas, confiantes ou simplesmente em silêncio. E isso, nos dias de hoje, é um presente raro.
Vivemos numa sociedade que tantas vezes nos ensina a competir umas com as outras. A compararmo-nos, a escondermos as nossas fragilidades e a acreditar que temos de dar conta de tudo sozinhas. Mas a emootiva mostrou-me que existe outra forma de caminhar: de mãos dadas, com empatia, respeito e uma sororiedade que se sente em cada palavra partilhada.
Saber que, do outro lado do ecrã, existem amigas prontas para me ler sem me julgar é um conforto difícil de explicar. Não importa se o texto nasce da alegria, da dúvida ou da dor. Sei que será recebido com um olhar generoso, porque quem lê também já viveu dias difíceis, também já precisou de colo, também já procurou respostas dentro de si.
A emootiva transformou a minha rotina de autocuidado. Escrever deixou de ser apenas um exercício de reflexão para se tornar um compromisso comigo mesma. É o momento em que paro o ritmo acelerado dos dias, escuto o que sinto e permito que as emoções encontrem voz. E, depois, leio-vos. E, em cada história, encontro um pedaço de mim. Descubro que aquilo que tantas vezes pensei viver sozinha também habita outras mulheres. E essa descoberta tem um poder imenso: faz-nos sentir menos sós.
E depois há o nosso grupo de WhatsApp. O nosso pequeno refúgio diário. Nem sempre há tempo para responder, nem sempre há disponibilidade para acompanhar todas as conversas. E está tudo bem. Porque a sororiedade que construímos não exige presença constante; vive da confiança. Da certeza de que, quando uma de nós estender a mão, haverá sempre outra pronta para a segurar. Sem julgamentos, sem cobranças, apenas com a generosidade de quem sabe que todas atravessamos dias mais leves e dias mais pesados. É reconfortante pertencer a um lugar onde não precisamos de estar presentes todos os dias para sabermos que nunca estamos verdadeiramente sozinhas.
Há uma palavra que resume aquilo que somos umas para as outras: manas. Não porque partilhamos o mesmo sangue, mas porque escolhemos partilhar o coração. Porque celebramos as conquistas umas das outras sem inveja, amparamos as quedas sem julgamento e lembramo-nos, todos os dias, de que a vida fica mais leve quando sabemos que temos uma rede de amigas a caminhar ao nosso lado. Ser mana é isto: estar presente, mesmo na ausência; respeitar o tempo de cada uma; e nunca deixar que nenhuma de nós se sinta sozinha.
Por isso, esta carta é, acima de tudo, um profundo obrigada.
Obrigada às emootivas por terem criado um lugar onde nos sentimos vistas, ouvidas e acolhidas. Obrigada a cada autora e a cada leitora que, com coragem e generosidade, continua a escrever a sua história. Talvez nunca venham a saber o impacto que têm, mas acredito que cada palavra partilhada acende uma luz no caminho de outra mana. E, por vezes, é exatamente essa luz que faz toda a diferença.
Acredito profundamente que é assim que mudamos o mundo: não através de grandes gestos, mas através de pequenas presenças. De palavras que acolhem. De quem faz da empatia um modo de estar. De comunidades que nos lembram que pedir ajuda não é sinal de fraqueza e que cuidar de nós próprias é também um ato de amor por quem nos rodeia.
Obrigada por serem colo, inspiração e porto seguro. Obrigada por me lembrarem que a sororiedade não é apenas uma palavra bonita; é uma escolha diária. E obrigada por me fazerem sentir que, independentemente do caminho que cada uma percorra, haverá sempre um lugar onde podemos voltar para respirar, escrever e sermos exatamente quem somos.
Com carinho e gratidão,
Uma mana que encontrou, na emootiva, uma comunidade onde o coração se sente em casa.



