por Inês Biu Faro

Acabei de ler mais um maravilhoso romance, leve e terno como todos os últimos que tenho lido — talvez com a exceção de «Daisy Jones & The Six», mas igualmente bonito de ler — e, como é meu apanágio, estou a ressacar.
Desde muito nova que gosto de contos de fadas, de romances, de sonhar enquanto leio, e as minhas mais recentes escolhas literárias têm recaído sobre este meu gosto.
Nunca a minha biblioteca esteve tão bem recheada, entre capas coloridas, títulos sugestivos e autores repetidos. Sou feliz rodeada de personagens que, aconteça o que acontecer, são resilientes e terminam as suas histórias felizes e em paz consigo mesmas.
Quando começo um novo livro, demoro umas 20 ou 30 páginas a sentir-me nele. É raro desistir de uma leitura e pensar «ainda não é para ler agora»; resisto, continuo a ler e, por fim, mergulho. Mergulho mesmo fundo na história. Nalgumas, sinto-me a protagonista e visualizo o rosto de um amor antigo — ou não — para ser o meu par, ou tento visualizar rostos que se assemelhem às descrições dadas. Noutras histórias, tenho muita vontade de ser a melhor amiga da protagonista, de pertencer à família ou fazer parte do grupo de pessoas que a envolve. Ou, apenas, de ver todas as situações como se fossem um filme que acompanha cada linha lida.
Sinto as emoções como se fossem minhas, rio-me, choro, suspiro e retiro frases e ideias para eu mesma escrever. Anseio por ler beijos apaixonados, noites de amor e piqueniques felizes. Uma leveza que eu mesma tento ter para mim, para a minha vida, e que tentei ter sempre.
Mergulho de tal maneira que fico a ressacar. É-me difícil deixar a história, encerrar logo, como se me fosse esquecer das personagens mal fecho o livro ou desligo o Kobo. Fico dias e dias a pensar na história bonita que me envolveu, mesmo que comece outro livro de seguida. A anterior ainda fica na minha «memória fresca» antes de a arrumar na minha estante da biblioteca mental.
Também gosto de passar os dedos e os olhos pelas lombadas dos livros e sorrir por me lembrar das histórias que ali estão, por me sentir tocada pelo que li e capaz de recomendar a outras pessoas com a mesma sensibilidade que eu. Descobri o género literário de que gosto mesmo, que me dá prazer ler em qualquer ocasião e que não leio por obrigação, apenas por prazer e, não raras as vezes, porque não aguento sem ler mais um capítulo!
Nos últimos anos ganhei o vício dos livros — já sou conhecida na loja e tudo. Não é que devore os livros mal os compre ou leia um por semana. Na verdade, não tenho qualquer meta. Gosto de acompanhar as histórias com calma, saboreá-las, apreciá-las, vivê-las. Gosto de olhar para os livros, anos depois, e ainda saber resumir a história, lembrar-me de alguns nomes e, até, de como me senti ao ler. Ganhei o gosto de construir a minha própria biblioteca, aquela que quem realmente me conhecer saberá que estou espelhada nos meus livros, nas minhas escolhas. E não leio por modas. Leio o que me faz sentido em cada momento.
Mesmo que as minhas preferências recaiam quase sempre pelos romances mais fáceis de ler e com sabor a comédia romântica de sábado à tarde, gosto sempre de conseguir aprender algo com cada protagonista. Gosto de registar ideias e sensações que, de alguma maneira, já senti nos meus próprios romances ou que quererei sentir. Sinto que ganho força para mim e para as minhas lutas ao ler esta literatura cor-de-rosa.
São muitas as sensações, as emoções e a imaginação não pára um segundo. Mas, se não foi para isso que foram inventadas as histórias, para o que seria?




