por Sónia Brandão

Quando olho para trás, deveria ter um sentimento de paz em relação às minhas escolhas, mas não tenho…
Deveria ter a certeza dos caminhos que percorri, mas não tenho…
Deveria saber para onde vou, mas não sei…
Deveria estar segura das minhas escolhas, mas não estou…
A segurança das escolhas que fazemos deveria ser eterna.
Deveríamos nunca ter o desprazer de mudar de opinião.
O ideal deveria ser a certeza das decisões, mas o mais importante: nunca deveríamos poder fazer o breve e trágico exercício do «e se?»…
Quando fazemos a pergunta, já sabemos que o destino nos vai fazer mudar de rota.
Já sabemos que erramos, mesmo não o tendo feito.
Erramos mesmo tendo acertado em tudo. Erramos porque colocamos na balança da vida o que nunca existiu.
Lutamos contra o irreal e transformamos a realidade no nada, mesmo sendo ela o nosso tudo.
É aqui que me encontro.
Na luta entre o que foi e o que poderia ter sido, mesmo isso nunca sendo uma opção.
Este é o momento ingrato em que coloco tudo em xeque; em que penso se as decisões que tomei, no momento oportuno, foram necessárias, foram verdadeiras, foram as mais corretas!
Aquela pergunta ao universo: se estou no sítio certo no momento ideal.
Não estou!
Porque, ao questionar a minha realidade, perco toda a fé no que vivi.
Perco as pessoas que amei, porque não escolhi ficar com elas, ou implorar pela sua presença na minha vida.
Porque questiono o caminho, questiono tudo e começo a imaginar a minha vida na tal realidade alternativa que nunca existiu.
Mas, na verdade, a minha mente, os meus «e se?», têm o poder de me despedaçar em pequenos grandes pedaços de nada.
Gostava de ter uma máquina do tempo, onde pudesse ver todas as possibilidades de futuro, para depois saber para onde devo ir.
Mas a vida não é assim.
Na vida não existem borrachas ou rotas repetidas.
Existem inseguranças, momentos de pouca fé em mim, mas não voltas ao passado, ou saltos para o futuro.
Mas, hoje, volto ao amargo momento de «e se?».
E as inseguranças regressam, as escolhas voltam para me atormentar, os fantasmas voltam a sussurrar frases inquisidoras.
Mas, amanhã, quando acordar e me olhar ao espelho, com olhos entreabertos, sei que me vou orgulhar das escolhas, sei que vou voltar a recuperar as certezas, a paz das minhas escolhas.
Porque todos merecemos momentos de incerteza, momentos, somente isso.




