por Inês Biu Faro

Depois de já tanto desabafar com as minhas «irmãs emootivas», dei-me conta de que não cheguei a contar-lhes como me senti nos primeiros tempos após ter conhecido o Trovador. Assim, enquanto escrevo e recordo, arrumo cada vez melhor este Sótão dos Amores.
Sabem aqueles «sorvetes» que os restaurantes chiques servem entre pratos? O «tira-gosto», exato. Ao que parece, também há homens assim… (e mulheres, vá!)
Depois de me ter relacionado com um rapaz super tóxico, mentiroso compulsivo e que, pelos vistos, me fez mais mal que bem, apareceu-me um homem maravilhoso. Conversador, charmoso, com atitude, corpo incrível, da área da cultura, bonito, inteligente, interessante e o sexo? Oh. Meu. Deus! De bradar aos céus! Criou-se intimidade física, química, intelectual, e toda aquela nuvem que as comédias românticas não mostram, porque só a viver é que realmente se percebe.
E, depois… puf! Acabou a sessão da tarde, a StarLife interrompeu as maratonas de romantismo e a vida real caiu-me em cima. O que me pareceu é que este homem lindo e maravilhoso foi mais um «Tira-Gosto», para limpar o palato da toxicidade e «amar o próximo! Próóóximo!!!».
Tudo muito bonito. Só não houve o aviso: «Não fiques apanhadinha. Vai p’ra cama e diverte-te. Só!» E fiquei mesmo apanhadinha, muito apanhadinha! O «Tira-Gosto» de sonho deveria ter sido o «próximo», porque, senão, porquê tanta afinidade? Porquê tanta cumplicidade? Porquê tanto e porquê tudo?
Obrigada ao Universo? Sim, claro! Por um «Tira-Gosto» tão tudo! Mas obrigada por nada também! Deu-mo para a mão tão depressa quanto o tirou e lá fiquei eu, mais uma vez, pendurada!
Se era para ser «Tira-Gosto», podia ter sido um homem mais «normal», longe da perfeição, da afinidade e cumplicidade e ainda mais longe dos meus sonhos. Assim, sim, era só cama e adeus!
Os homens «Tira-Gosto» são sempre bem-vindos e são capazes de fazer verdadeiros milagres no que toca à cura e à limpeza, mas, se também é para acabar apanhadinha… obrigada, mas não. Obrigada.
Como já vos contei, numa primeira crónica, a nossa história não se ficou só por um mero «Tira-Gosto». Quando não era eu a tentar novamente a proximidade, era ele. E voltávamos a cair nos braços um do outro, como se tivéssemos, em nós, uns ímanes que se atraíam de tanto em tanto tempo. Até que eu me apaixonei «à séria»!
Apaixonei-me! Fui apanhada na curva!
E o que seria só uma «distração», um «Tira-Gosto», tornou-se muito mais que isso, enquanto o tempo passava e a memória persistia.
Quando nos conhecemos, eu estava frágil, a curar-me do dito desgosto que me desarrumou inteira e, sem saber de tudo isso, ele cuidou de mim. Recebeu-me na sua vida e no seu corpo, fechou-me nos seus braços e beijou-me sem medos. Acolheu-me sem saber o quanto eu queria e precisava disso.
Aconteceu, sem que eu esperasse, logo no primeiro beijo. Deixei-me ir, permiti-me ser feliz no «agora», sem pensar no «amanhã».
Aconteceu, sem que eu esperasse, a cada beijo e sorriso, a cada abraço e suspiro. O carinho, a proteção, o cuidado, e eu deixei-me ir sem pensar, apenas a sentir, a aproveitar, a viver, a ser! E a retribuir em dobro tudo o que me era dado.
Aconteceu, inesperadamente, como só as melhores coisas acontecem, e como eu quis que o tempo parasse ou fosse eterno o momento em que nos olhámos, beijámos e quisemos um ao outro.
Aconteceu. Eu não estava à sua espera. Segui o meu instinto. Larguei medos e inseguranças. Segui o conselho «vai ser feliz!». E fui. Fui tão feliz com ele.
Aconteceu e, inesperadamente, apaixonei-me pelo sorriso mais bonito que vi, pela gargalhada sonora, pela voz quente de barítono tímido, pelos olhos brilhantes, pelo toque, pelo corpo, pela sintonia.
Aconteceu e apaixonei-me por um Trovador que, entre idas e vindas, cantigas e abraços, beijos e amassos, deu-me tanto quanto me deu nada. Apaixonei-me como não esperava e, agora, aos poucos, estou, finalmente, a arrumá-lo atrás da sua porta, com os baús e caixas. Com tudo a que este grande amor tem direito na minha memória.



