por Estefânia Barroso

Hoje, como em todos os dias da semana, acordei às seis e meia da manhã e iniciei a luta (e labuta) dos dias da semana: alimentei as gatas, ato contínuo em que tentava que a mais nova não matasse a mais velha — isto, enquanto me vestia à pressa para, logo de seguida, iniciar a caminhada da madrugada, a passear o cão. Passeio feito, cheguei a casa e iniciei o trabalho que é tratar de mim mesma: despir, banho, vestir, arrumar o quarto, pequeno-almoço, lavar dentes, passar uma ligeira maquilhagem para não parecer «tão acabada» e, rapidamente, seguir para o carro a caminho do emprego. (Não raros são os dias em que sinto, quando me sento no carro para ir trabalhar, que tenho um dia às costas!)
Todos os dias é assim: desde que ponho os pés no chão até à hora de almoço, não paro um bocadinho.
A quarta-feira, ainda assim, costuma ser um dia mais calmo, uma vez que, não havendo reuniões, só dou aulas no período da manhã. Contudo, hoje não é o caso, uma vez que tenho reuniões marcadas para o período da tarde. Tendo em conta a hora da reunião, poderia ter ido almoçar a casa e regressado, mais tarde, para a reunião. Mas acontece que, hoje, não me apetecia andar a conduzir para cima e para baixo, e continuar nessa correria que costuma ser os dias. Decidi que iria aproveitar as horas que mediavam entre a manhã de aulas e as reuniões apenas para meu usufruto. E, se bem o pensei, melhor o fiz! Saí da escola, fui almoçar um belo sushi e, de seguida, fui aproveitar o sol e o tempo livre para uma esplanada. Decidi que não iria levar computador, não iria adiantar trabalho algum. Iria só aproveitar o sol e o calorzinho que se fazia sentir, enquanto bebericava alguma coisa. E sabem que mais? Soube-me pela vida! Tenho a sensação de ter ganho anos de vida!
Há muito tempo que não me sentava sozinha, numa esplanada, a ler um livro, enquanto bebericava alguma coisa. A verdade é que temos tendência para esquecer que precisamos de ter tempo para nós, para estarmos connosco a sós, em silêncio, a ler, ou apenas a ver o mundo acontecer à nossa volta. Por acharmos que temos de estar sempre em atividade, em companhia, na confusão, achamos um desperdício de tempo estar parados, sozinhos, sem pensar em nada de importante e, sobretudo, sem fazer uma das múltiplas tarefas que temos para fazer!
Mas nada está mais errado!
Hoje, lembrei-me que sou uma ótima companhia para mim mesma. A minha presença, calma e serena, sem necessidade de falar ou de partilhar nada com ninguém, desde que em doses moderadas, faz-me bem.
Ainda bem que, hoje, tive reunião. Ainda bem que, hoje, decidi que não iria almoçar em casa (por mais que goste de o fazer). A tarde ocupada permitiu-me, ainda que fosse apenas por alguns minutos, tirar o pé do acelerador e encontrar-me a mim, encontrar a minha pessoa, que tão bem me fez sentir.
Nota: depois de ter escrito esta crónica na esplanada, num ambiente, como descrevi, de silêncio e paz, Deus zangou-se e levantou-se uma ventania tão grande que ia perdendo os papelitos onde rabisquei estas quatro ou cinco linhas. Regressei, então, ao mundo real, o do trabalho, e segui para a reunião.

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Um encanto !!
Muito me identifiquei contigo pois já me dei bastantes momentos assim parecidos !
Parabéns e continua a SABOREAR A TUA COMPANHIA sempre que puderes ❤