por Sofia Pereira

Há momentos na vida que nos abalam de forma inesperada. Descobrimos que, para alguém que esteve no nosso caminho, fomos apenas uma presença de conveniência: úteis, mas não importantes. Como se fôssemos uma ponte segura a atravessar, mas que, uma vez passada, fica para trás, esquecida. Essa constatação pode ferir, porque entregámos o coração, a bondade, o tempo, o cuidado e a nossa presença. Demos tudo sem medida, e, no fim, parecia que nada disso tinha peso real no coração de quem ajudámos.
Mas, no meio dessa desilusão, é importante lembrar que a tua essência, a tua luz, não depende do olhar dos outros. Ser bom não é um erro — é uma escolha. E a tua escolha de dar, de ser presente e leal, de estender a mão sem esperar nada em troca, é uma dádiva que o universo jamais ignora.
Não deixes que a falta de reconhecimento te faça duvidar de ti mesma. Continua a ser quem és: alguém que planta amor, generosidade e compaixão, mesmo quando parece que ninguém colhe. A lei do retorno existe — não como um mito, mas como uma certeza que ecoa na vida de quem acredita no poder do bem.
Um dia, esse amor que ofereceste sem esperar retribuição vai voltar para ti. Em forma de amizade verdadeira, de gestos inesperados de bondade, de momentos de pura alegria. Virá quando menos esperares, mas será a prova de que nada do que fazes com o coração se perde.
Não te arrependas de ser boa pessoa. Ser bom é o maior ato de coragem. É resistir ao cinismo e à falsidade, e continuar a amar. É decidir ser ponte, mesmo que não sejamos sempre lembrados. Porque o que importa, no fim, é a paz que trazes contigo e a dignidade de seres alguém que não desiste de semear o bem.




