por Inês Biu Faro

Quando entrei na emootiva, mal sabia ao que vinha. Vi o anúncio no Facebook algumas vezes e, se calhar, só à terceira ou quarta vez que o vi é que decidi abrir o link e inscrever-me. Acontecesse o que acontecesse, não seria um curso de escrita criativa, mas seria um espaço onde poderia melhorar, onde teria voz e onde podia publicar os meus textos e chegar mais longe. Aqui, posso ser eu mesma: sem medos, sem julgamentos, sem pressão e, mais importante ainda, sem comparação!
Olhando para trás, o meu primeiro texto foi um resgate de um texto antigo para ver como se fazia; o segundo foi, ainda, um bocado atabalhoado e, depois, com os desafios mensais e poder escrever, também, textos livres, foi largar as velas e navegar tranquilamente no oceano que eu melhor domino na minha vida: o da escrita.
Mergulho de cabeça em cada desafio. Às vezes, demoro mais. Noutras vezes, escrevo de rajada e deixo a marinar. Gosto que todos os meus textos ganhem maturidade, nem que seja numa noite. E eu desafio-me a mim mesma a entregar todos dentro dos prazos. A juntar aos quatro textos obrigatórios, a Laura ainda nos envia cartazes com prompts para que nunca nos falte assunto – como se isso fosse possível comigo – e, desde então, também aprendi a abrandar.
Não preciso de escrever cinco crónicas todas as manhãs e outras cinco à tarde. Também não preciso de ficar a semana toda sem escrever. O que preciso é de respeitar o meu tempo e entender que, escreva muito ou escreva pouco, o importante é ir gerindo, deixar acontecer e escrever o que sinto, como sinto, e que nem sempre o que sinto tem de ser cor-de-rosa. A emootiva também me tem ajudado a conhecer e validar todas as minhas emoções (missão cumprida?), e poder escrever sobre elas, sobre as suas cores e como as identifico também faz parte do meu processo de escrita. E esta é, também, uma das coisas mais bonitas de estar aqui: cada uma das escritoras tem o seu processo, é único e impossível de copiar, apenas de respeitar.
Na emootiva tenho tido espaço não só para ser eu mesma, mas para cumprir o objetivo da plataforma: expor as minhas emoções. São poucas as coisas que me deixam sem palavras e dizer o bem que me tem feito estar nesta comunidade há dois anos não tem explicação possível. Melhorei imenso a minha escrita, melhorei a minha vontade de escrever, saí de várias zonas de conforto e continuo a ficar maravilhada com cada nova publicação minha. É tão bonito ver o resultado de algo que escrevi, às vezes, no Word, outras no telemóvel ou numa folha de rascunho. Ver os cartazes escolhidos pela Laura, a frase destacada e todo o carinho e cuidado impressos em todas as nossas publicações. Se nós nos dedicamos à nossa escrita, temos da parte da Laura uma grande prova de amizade, profissionalismo e respeito por nós, pela escrita em geral e o que, para cada uma de nós, significa estarmos nesta comunidade. Uma comunidade que já transcende a escrita.
Quando entrei na emootiva estava numa fase algo complicada da minha vida e precisava de algo mais do que escrever no meu diário e conversar com as minhas pessoas-diário. Precisava de soltar, de ir ao fundo das minhas dores para as transformar em flores. Precisava de algo, ou alguém, que puxasse por mim para que tudo começasse a funcionar melhor no meu «sistema operativo».
Já perdi a conta às vezes que chorei nas nossas sessões de escrita; às vezes que me ri e partilhei a minha vida, o meu dia a dia e os abraços que chegam em forma de palavras das outras escritoras. Tenho ganho amigas para a vida e cada vez mais motivos para escrever, nem que seja – como escrevi noutra crónica –, para ganhar o ódiozinho de estimação da Steff. É que até isto me incentiva!
Também já chorei enquanto escrevia, já me esqueci do que escrevi e só reli quando foi publicado, já me perdi e tive de escrever duas ou três crónicas seguidas porque os temas se encadearam e cada um merecia o seu destaque. Já até criei uma personagem – duas, a Violetta não vive sem o seu Bruno, que seria! E, pela opinião geral, também ela merece um livro só seu e não apenas excertos/pequenos contos – será? Escrevi um conto erótico e tenho-me desafiado a tornar as crónicas cada vez mais pessoais, mais maduras e ainda mais vindas de mim, da minha essência – que não sai com água micelar!
Honestamente, sinto-me verdadeiramente em casa com estas amigas que estão do outro lado do ecrã – elas existem! Já estivemos juntas! São capazes de ser das poucas que já viram todos os meus estados e humores. Estão ao meu lado o tempo todo, para o que quer que eu precise, sempre à distância de uma mensagem – obrigada, Purpurina!
Formou-se um grupo tão forte que já nem me lembro quem é que sonhou que vivíamos todas numa mansão palaciana, cada uma com o seu espaço, mas a ver-nos sempre que quiséssemos. Um sonho muito bonito, porque eu imaginei logo um Palácio de Versalhes estilo Barbie, cheio de cor-de-rosa e purpurinas e cada uma de nós a decorar o seu cantinho à sua maneira.
E é disto mesmo que se trata. Aqui, resgato a minha Inês menina e sonho alto. Aqui, tudo é válido e nada é um disparate, nada é inferior. Somos todas iguais e sabe tão bem estar aqui. Tudo isto é algo mesmo muito bonito que a emootiva me trouxe: estas amigas, quase todas longe de mim, mas muito mais perto do que alguma vez podia sonhar. Amigas que me conhecem pela maneira como escrevo, pelos meus silêncios, pelas entrelinhas das crónicas. São amigas que são colo. Adotámos, até, uma avó, a nossa ’Vó Maria, a mais velha do grupo e que já vinha de outro projeto da Laura. Comecei eu a tratá-la por avó e ela, com toda a sua ternura, aceitou estas suas «cachopas» como netas escritoras. Muito embora já estejamos juntas há mais de um ano, recebemos quem vem de novo de braços abertos, damo-nos logo a conhecer e contamos as brincadeiras mais recorrentes no dia a dia. O resto, vivemo-lo todos os dias.
A emootiva também me tem ajudado, cada vez mais, com a minha escrita e não é só a escrever bem. Eu já sabia que escrevia bem, muito bem mesmo, praticamente desde sempre, mas faltava-me esta validação externa. Não deveria precisar, já o sentia e sabia, mas também sabe muito bem receber os elogios e os mimos, ser lida por quem nunca me viu e sentir-me incluída num grupo de mulheres onde todas, mas mesmo todas!, escrevemos tão bem… Somos fãs umas das outras, tocamos os corações e inspiramo-nos mutuamente. Somos as primeiras a opinar, a dar força, a aplaudir e abraçar o que nos chega umas das outras. Já até as habituei aos meus bons dias em italiano, a expressões que uso no meu dia a dia e ficaram fãs e aqui vai uma nova: L’emootiva è per me come l’amore è per te.
Um dia que o meu livro seja editado, garanto-vos que será maravilhoso e não será só por causa da minha escrita tão bonita. Será, sobretudo, por causa dos incentivos que aqui recebo todos os dias.
A emootiva é casa, uma casa bem grande e cheia de amor para dar, receber e distribuir. É uma comunidade feminina que cuida das suas mulheres, que cuidam umas das outras, a toda a hora — e onde todas as mulheres são bem-vindas. Se gostarem de escrever, de partilhar e de refúgio, atirem-se, atrevam-se!
A emootiva é escrita, é amor, é amizade. A emootiva é o melhor da vida.



