por Daniela Rodrigues

Hoje, li algo de uma autora que falava sobre o (primeiro) amor:
«Não sei se existem ainda, por aí, primeiros amores que durem para sempre. Mas não importa. Não é o primeiro que importa. É o último. Que seja forte e verdadeiro e que valha a pena ficar com ele até ao fim. E que seja isso a torná-lo mais especial do que todos os anteriores.» — Laura Almeida Azevedo
Há amores que nos ensinam que temos direito a ter a nossa opinião; que temos o poder de decidir o que queremos ou não e quando queremos; que não temos de ter medo de escolher e de sermos nós, na nossa essência, em cada escolha. Tal como ensinam que não temos de ceder, seja ao que for, apenas para que a outra parte fique satisfeita e contente, quando não se passa o mesmo dos dois lados. Não adianta fingir que tudo está bem ou ceder a qualquer que seja a vontade do outro lado. Isso vai afundar-nos num poço sem fundo, onde perdemos parte de nós para ser e fazer aquilo que o outro quer. Uma parte fica feliz. A outra, nem por isso.
Há amores que nos ensinam que tudo funciona como uma balança e, como tal, para estar bem tem de estar equilibrada. As cedências têm de vir dos dois lados, porque uma relação não deve ser unilateral. O esforço tem de ser feito em conjunto, na mesma medida possível, para que nenhum dos dois fique em desvantagem, demasiado sobrecarregado ou desgastado. Têm de remar na mesma direção, rumo aos mesmos objetivos e com a certeza de que aquele é mesmo o caminho que querem seguir.
Há amores que nos ensinam que somos mais do que suficientes, indispensáveis, insubstituíveis… que temos valor e nos fazem sentir isso em cada atitude; que nos admiram e o demonstram com gestos e palavras; que nos amam e cuidam de nós; que estão presentes nos bons e maus momentos; que nos apoiam em cada luta e estão lá a torcer pela vitória; que nos sabem capazes e estão lá para incentivar e acalmar os nervos. Nunca para atraiçoar ou desvalorizar cada passo. Muito menos para nos fazer desistir do que nos faz felizes.
Há amores que nos ensinam que todos os sonhos e desejos são válidos e ficam do nosso lado, dando apoio em cada etapa e felicitando a cada conquista. Porque estarmos bem, felizes, concretizadas, é importante para eles também.
Há amores que nos ensinam que, afinal, ao contrário do que se diz por aí, os opostos não se atraem. Vão colidir numa espécie de sentido contrário. Vão repelir-se. Não serão funcionais ou felizes. Talvez haja por aí muitas amostras disto, mesmo que bem camufladas.
Como canta Rui Veloso: «Não se ama alguém que não ouve a mesma canção».
Há amores que nos ensinam a sermos nós mesmos, sem nos diminuirmos para caber num sítio que não é nosso; que aceitam cada detalhe como parte de nós; que não julgam, não diminuem, não ameaçam, não manipulam, não intoxicam, não destroem.
Há amores que, mesmo não sendo como nos livros ou nos filmes, podem ser felizes e para sempre. Seja o primeiro ou o último. E talvez aconteça mesmo aquele fogo-de-artifício interior de que tanto falam os livros que li, sobre o amor, a entrega, a paixão.
Creio que todos os amores são necessários. Do primeiro ao último. Cada um terá algo a ensinar-nos e talvez seja essa a lição que devemos reter para não repetir os mesmos erros no futuro.
Talvez cada um seja o primeiro à sua maneira, porque cada um será diferente.
Porque há amores leves, pacíficos, felizes, plenos, saudáveis, verdadeiros… e eu desejo que todos possamos encontrar o nosso.




