Sónia Brandão

por Sónia Brandão

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A música consegue transportar-me para momentos únicos, vividos no passado.

Aquela música que ouvi e cantei, vezes e vezes sem conta, quando descobri o poder da mesma: Rui Veloso, «Não há estrelas no céu». Cantei-a durante os meses de verão, quando era miúda, com a minha prima. Adorávamos fazer concertos com ela sempre que alguém tinha paciência para nos ouvir. Mesmo pouco afinadas, adorávamos.

É a primeira que me marcou; muitas se seguiram.

Metálica, quantas vezes ouvi até à exaustão! Quantas vezes escrevi ao seu som!

Lembro-me de ouvir o programa «Oceano Pacífico» pela noite dentro, só para poder escrever, porque sempre me concentrei melhor a ouvir música. Passei noites em claro a fazê-lo quando era adolescente.

Quando uma música me «obriga» a escrever, ouço-a até à exaustão. Mais tarde, volto lá e percebo que continua a inspirar-me de outra forma, talvez porque já exorcizei o que ela tinha para me oferecer.

Quando ouço uma música romântica, sei o que vou escrever. Não porque já tenha pensado nisso, mas porque a vibração que me chega é de amor. Sei que vou escrever um texto para ou sobre alguém que amei.

Se ouço uma música animada, que me provoca sentimentos felizes, é quase certo que vou escrever um texto cheio de imagens criadas na minha mente, com muito pouco vínculo com a realidade.

Se ouço algo que me transmite tristeza, vou escrever algo que me marque a mim e a quem lê.

Mas a constante de todos esses momentos é a música.

Ela faz com que a minha escrita seja muito mais objetiva, porque obriga a minha mente a parar no momento certo.

Hoje, estou a ouvir «Euphoria», da Loreen, porque não me apetece escrever nada de mau. Apetece-me vibrar ao som da música e deixar os dedos correrem livremente sobre o teclado.

Quando os dias são mais sombrios, é aí, na música, mais do que em qualquer outro lado, que me refugio para exorcizar o que me atormenta e escrever livremente, sem o peso da vida.

Não existe fórmula. Apenas ligar os phones e deixar fluir.

Raramente escrevo sem ela, porque é ela que faz os sons do mundo pararem e a minha mente criar.

About the Author: Sónia Brandão
Sónia Brandão
Apaixonada por palavras, aprendeu, desde nova, a criar realidades paralelas na sua mente — onde tudo era possível. "Amor de Perdição" foi o primeiro livro que leu. Tinha 13 anos e foi a mãe que lho sugeriu para se ocupar. Desde então, nunca mais parou de ler. Durante alguns anos, no entanto, parou de escrever: sentiu que tinha deixado de fazer sentido. Mas o confinamento fê-la regressar à escrita com mais força e determinação. Este ano, surgiu a vontade de partilhar com os outros o que coloca no papel.

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