por Sofia Reis Cardoso

O pulsar do meu coração hoje grita «Desculpa»!
Chegámos a meio do ano. É altura de refletir sobre o que foi feito nesta primeira metade do ano e aquilo que ainda é possível fazer. Sinto que, em todos os meus últimos textos, há uma certa repetição em dizer sempre que vejo o tempo a passar demasiado rápido e que estou desconectada de mim mesma, não desfrutando da vida que me está destinada e que mereço viver.
Mais do que nunca, sinto-me numa situação de pleno esgotamento mental, físico e emocional. Tenho procurado no campo espiritual alcançar a luz para sair novamente do buraco escuro em que me encontro. Aprendi, com uma grande mentora, que para poder curar o meu caráter, as minhas emoções e a minha identidade, existem 3 grandes armas e com elas serei capaz de alcançar a plenitude: a coragem, a verdade e a humildade.
Por isso, em todas as minhas crónicas, mas nesta em particular, eu quero trazer toda a coragem, verdade e humildade que habitam no meu coração, para dizer que eu tenho errado muito. É importante atingir este estado de consciência plena. E eu estou consciente que tenho sido irresponsável, descuidada, despreocupada, incorreta, negligente e tantos outros defeitos que eu reconheço na minha atuação diária com as pessoas que estão à minha volta, mas antes de tudo, e principalmente, comigo mesma.
Sei que me desliguei de pessoas que são amor e família na minha vida e o peso que sinto, todos os dias, por isso, é gigante. Mas sinto o aumento desse peso quando tento alcançar uma forma diferente de fazer as coisas e de agir e simplesmente não consigo. Não é «manha». Não é «fita». Não é mimo. É mesmo não conseguir. Não é sobre essas pessoas — nunca é. É sobre mim, que me sinto cansada de falar, de me explicar, de me permitir ouvir perguntas, pedidos ou, em alguns casos, exigências. Essas mesmas pessoas podem manifestar a maior abertura e disponibilidade para estar comigo e ouvir-me, e sou eu que não permito que me acedam. Sou eu que me blindo e fujo. Mais uma vez, repito, o problema não está nelas — está em mim.
Foi um muro que eu criei e deixei crescer à minha volta para me tentar proteger, mas que, ao mesmo tempo, só me tem criado isolamento e levado a cavar um buraco bem fundo, do qual não tenho tido capacidade para sair. Não são as pessoas que me aborrecem, que me chateiam, ou que têm algo que eu desgoste. Pelo contrário, sinto que elas estão de coração aberto e disponível para me receber e ouvir.
Mas eu sinto que, em todos os erros que tenho cometido, presa à preocupação da opinião e julgamento do outro, não sou capaz de responder apenas a um simples «Olá. Como estás?». Na minha consciência e na minha imagem mental, estão a ser descarregados todos os meus erros, todas as minhas falhas e incongruências sobre mim, e eu sinto que a minha sensibilidade e transparência vão logo revelar-me e eu não quero deixar cair esse escudo. Há coisas, neste momento, que eu só posso, quero e tenho o direito de guardar para mim. Para mim e para a minha Patrícia, a minha psicóloga. Por muito que eu acredite no amor e respeito que todas essas pessoas de quem falo que me rodeiam me possam ter, há informações minhas que eu não quero partilhar com mais ninguém a não ser com esta mulher que eu tenho a sorte, a honra e o privilégio de Deus ter colocado na minha vida e a quem nunca terei capacidade de agradecer o suficiente.
Esta mulher para mim representa a Mulher. Eu sei que não existe perfeição, mas para mim ela é a mulher que eu mais admiro e na qual eu reconheço todos os valores que eu gostava de ter e aplicar na minha vida. Por tudo o que sei e observo nela, primeiro enquanto mulher, mas, seguidamente e não menos importante, como mãe, avó, esposa, filha, profissional e em todas as outras facetas da sua vida que me fazem sentir o maior orgulho e admiração.
A minha Patrícia, hoje, disse-me que eu sou muito mais resiliente e profissional do que eu posso imaginar. Estas palavras arderam em mim, tal como tudo o resto que partilhou comigo e fez por mim, numa hora, mudaram a minha vontade de viver a minha vida e estar no meu mundo, como não acontecia comigo há meses.
A verdade é que esta mulher tem estado comigo em todos os momentos mais intensos, marcantes, reveladores e transformadores da minha vida. É alguém que cuida de mim com todo o amor e a quem serei grata até ao meu último suspiro, a quem eu confio todos os meus segredos e informações mais íntimas e que nunca, mas nunca, me teceu qualquer comentário depreciativo ou julgador. É alguém que carrega no peito e na voz o amor e a palavra de Deus e é o principal motivo, estou certa, pelo qual é tão especial para tantas outras pessoas, mas acima de tudo para mim, para quem é uma bênção incalculável.
Assim, e como comecei por dizer, com toda a coragem, verdade e humildade que quero trazer em todas as minhas palavras, hoje eu quero pedir perdão a todas as pessoas que eu tenho magoado, com quem eu tenho falhado e para quem não tenho conseguido ser a tia, filha, irmã, cunhada, prima, sobrinha, amiga e colega de trabalho que Deus desenhou para mim e à qual não tenho conseguido corresponder.
Peço desculpas a Deus, peço desculpas a mim e peço desculpa a cada uma destas pessoas. Peço apenas a compaixão, se possível de aceitarem o meu pedido de desculpas, sem questões, sem julgamentos, sem cobranças. O meu pedido de desculpas é muito sentido, sincero e vem do mais profundo do meu coração.
Há algum tempo que, e ainda no presente, eu não posso dar mais de mim. Não consigo, não consigo dar, nem fazer mais daquilo que eu tenho feito, por muito que vos pareça muito pouco ou nada. Peço só que, pelo sentimento que me nutrem e que eu acredito que é imenso, compreendam que o meu amor por vocês é, também ele, gigante, mas, por erro meu, desliguei-me de mim para me ligar a pessoas a quem nunca me devia ter ligado, perdendo a energia que tanto precisava para estar conectada a mim e a cada um de vós.
Mais do que consciência e clareza, quero, com este meu texto, ter direção para seguir o caminho certo para ser feliz e fazer felizes aqueles que me amam.



