por Sofia Pereira

Chega o fim do ano e, com ele, cresce em mim uma vontade tranquila de agradecer. Não só pelas grandes conquistas que ficaram registadas, mas também — e talvez principalmente — pelas pequenas vitórias silenciosas que, sem darmos conta, nos transformam. Fecho os olhos e percorro, um a um, estes 365 dias, tentando colher o que de mais genuíno ficou.
A cada janeiro, gosto de acreditar que a vida nos oferece uma página em branco: 365 dias de esperança e de paz, mesmo que, por vezes, ambos nos escapem entre os dedos. São 365 dias de tentativas, de lutas pelos nossos sonhos, objetivos e ideais, mas, sobretudo, um convite a sermos fiéis a nós próprios/as.
Neste ano, agradeço todas as oportunidades de crescer. A responsabilidade de cada escolha, a dedicação aos projetos que abracei, a coragem de continuar mesmo quando tudo pareceu estagnar. Agradeço também as aprendizagens, por vezes duras, que me obrigaram a amadurecer e a evoluir. Porque só assim podemos contribuir para um mundo mais humano, justo, empático e solidário.
Agradeço os desafios que me forçaram a superar limites, com humildade, e a descobrir em mim capacidade de recomeçar. Cada competência nova, cada conhecimento inesperado, foi mais um degrau no caminho do meu desenvolvimento pessoal.
Procurei viver cada dia com vontade e entusiasmo, ainda que nem todos os dias tenham sorrido de volta. Encontrei alegria nas histórias partilhadas, nos sorrisos, nos momentos de emoção genuína. Aprendi a superar adversidades com coragem e resiliência, a manter a fé e a garra mesmo quando tudo parecia mais difícil.
E, acima de tudo, agradeço pelo amor: o que dou, o que recebo, o que partilho com as minhas pessoas-luz, as que habitam o lado de dentro do meu coração. Estar presente, cuidar, ser abrigo e companhia para quem me é essencial — é aí que encontro sentido e pertença, é aí que reside a verdadeira felicidade. São estas pessoas que me seguram e me amparam, que me inspiram a ser melhor e a não desistir.
Aprendi também a valorizar (ainda mais) quem e o que realmente importa: com lealdade, respeito e amizade. Descobri que a felicidade mora, muitas vezes, nos detalhes mais simples — o cheiro do café pela manhã, um abraço apertado, uma gargalhada, um silêncio confortável ao lado de quem amamos.
Procuro terminar o ano com leveza, com (c)alma, sem pressa de antecipar o futuro nem peso de arrastar o passado. É no presente, no agora, que tudo se constrói. E, mesmo sem saber o que o amanhã reserva, abraço a esperança — aquela esperança serena — de que o melhor de mim, de nós, está ainda por vir.
Por tudo isto, fecho o ano de coração cheio. Agradeço cada instante vivido, cada lição, cada encontro, cada abraço e cada sorriso. E abro o novo ciclo com a vontade renovada de viver, de aprender, de cuidar, de agradecer e de acreditar. Afinal, temos mais 365 dias à nossa espera.




