por Inês Biu Faro

Mais curtos ou mais longos, maiores ou menores, mais ou menos intensos, todos os relacionamentos que tenho vivido me têm marcado e ensinado algo. E não me refiro apenas ao amor romântico e aos namorados, mas também aos amigos, à família, hobbies, paixões e tudo aquilo que me move e me faz evoluir cada vez mais enquanto mulher e ser humano, todos os dias.
Já tive um relacionamento extremamente tóxico. Senti-me completamente enclausurada numa ilha. Ainda assim, foi aquele que mais me ensinou a viver por mim e para mim e não em função do outro. Esta lição tem sido a mais dura de aprender, porque voltou a acontecer, não num grau tão profundo, mas o suficiente para eu acordar para a vida e ter de mudar muitas coisas em mim, por mim e para mim.
Vivi amores de contos de fadas. Estávamos os dois muito apaixonados e soubemos viver o nosso amor jovem de maneira discreta, só na nossa bolhinha, para não deixar que o estragassem. Assim como o meu primeiro grande amor aos 18 anos, uma história que ainda hoje dura, mas ressignificada numa amizade bonita. Tive aventuras que pensava serem amores, mas afinal eram só isso mesmo: aventuras! Quentes, fugazes, eróticas mesmo!
Todos os amores que vivi por amor, paixão e desejo vieram para me ensinar algo, assim como a minha paixão pela escrita, que me trouxe ao mundo dos diários, dos blogues e, finalmente, à emootiva.
O amor à escrita trouxe-me às amigas que hoje trago no coração; trouxe-me maturidade, evolução e até mesmo amor por mim mesma, pelas palavras que uso quando falo comigo. Este amor pelas palavras ensinou-me a ser mais generosa: primeiro comigo e depois com os outros.
O meu amor à música não tem descrição possível. Já perdi a conta às vezes que escrevi sobre este tema e as palavras nunca me faltam – nem variam! [risos] A música faz-me sentir todas as emoções existentes e as que estão por inventar. Não vivo sem cantar, sem ouvir e confesso que tenho muitas saudades de tocar percussão.
Têm sido 36 anos cheios de amores, cheios de família, mais ou menos longe, mas sempre no coração; cheios de amigos que vão, vêm, renovam-se e trazem mais de si para retribuir o tanto que dou de mim.
No que toca a amores e olhando para trás, acho que já experimentei todos os tipos de amor que existem. Ainda assim, falta-me o que mais quero viver: ser mãe.
Há uns meses escrevi sobre ser a Tia Barbie, a tia da música, a tia divertida e a tia preferida de alguns dos meus sobrinhos emprestados. Lembro-me de vos ter contado que, por ser esta tia, tinha feito as pazes com um dos meus maiores sonhos, mas não dei conta de que o que estava a fazer era pôr uma máscara e varrer para debaixo do tapete os meus sentimentos.
Dói-me quando ouço as mulheres da família perguntarem-me por filhos. Estou solteira e não tenho grande vontade de querer ser mãe sem o pai, precisamente por saber como é crescer com pais separados. Dói-me, sinto-me pressionada e, mais do que isso, sinto-me frustrada e a ver o tempo a passar… Quase 37 anos e nada… – espaço para chorarmos juntas.
Esta dor saiu de debaixo do tapete quando, nos últimos 3 meses, fiquei a saber que três das minhas melhores amigas estão grávidas. Estou imensamente feliz por elas, amo-as imenso, assim como aos sobrinhos que estão para chegar, mas não consigo evitar ficar triste por mim. Não quero com isto dizer que não quero saber delas. Muito pelo contrário! Adoro estar incluída no grupo restrito das três – que nem sequer se conhecem entre si – que contam a novidade antes dos três meses. Mas não seria eu se não fosse verdadeira comigo e estas novidades bateram-me onde ainda dói.
Atualmente, há muitas maneiras de se ser mãe. Ainda que não queira ser mãe solteira, há também essa hipótese e maneiras de o ser. Ou, então, a alternativa mais bonita e romântica do mundo: esperar, dar tempo ao tempo. Lembrar-me de que, hoje em dia, aos 36/37 ainda tenho tempo, ainda posso conseguir e entender que, se for mais tarde, mais maturidade vou ter e, se calhar, vou estar numa relação madura, com um pai presente e que o queira ser tanto quanto eu.
Escrevo-vos no dia em que esta ferida abriu. Estava sossegada e a crosta caiu: «Olha! Sabes que tens aqui imenso amor para dar a alguém que vai ter os teus olhos grandes e o teu nariz arrebitado?» e, quando chorei – literalmente! – no colo das minhas amigas, elas disseram-me isto mesmo: «Tens tempo. Chora e cuida da ferida, mas lembra-te de que tens tempo. Não sabes o dia de amanhã e, quem sabe, daqui por uns meses, um ano ou dois, encontras alguém e acrescentas aos teus amores a Mãe Barbie. És incrível como tia. Imagina como mãe!»
Se são leitores assíduos das minhas crónicas, já me conhecem um pouco e sabem que vivo para o amor e por amor e, por conseguinte, sabem que terei sempre imenso amor para dar e distribuir – criar e atirar os meus Laços de Afetos. E é esta esperança que me ajuda a acreditar em cada palavra que estas queridas amigas me disseram: «tens tempo», e aproveitar ainda mais e melhor os sobrinhos que chegarão em 2026.




