por Sofia Pereira

Minha querida Sofia,
Hoje, escrevo-te com os olhos marejados e o coração cheio. Escrevo-te para te dizer, com toda a ternura e verdade do mundo, que conseguiste. Tornaste-te naquela mulher forte, lutadora e competente que tantas vezes sonhavas ser, em silêncio, nos teus dias de menina sonhadora. E fizeste-o sem nunca perderes a tua essência.
Foste — e és — sempre amiga dos teus amigos, um verdadeiro porto de abrigo. E, com a tua família, foste o sorriso constante, a alegria contagiante, o elo que une. Foste fiel aos teus princípios e valores, aqueles que te ensinaram em casa e que tu honras em cada gesto, em cada palavra, em cada escolha. Nunca te traíste. E isso, minha querida, é das maiores conquistas que alguém pode alcançar.
A tua infância foi um livro cheio de páginas felizes. Viajaste em família, com os olhos bem abertos e o coração cheio de curiosidade. Nas férias de verão, correste livre para o rio, para as cabras, para os trilhos de terra e as árvores altas. As feridas nos joelhos? São troféus dos teus dias mais vivos e despreocupados. São lembranças de um tempo em que tudo era descoberta e os abraços não tinham hora marcada.
Concretizaste o sonho bonito de estudar na cidade do Mondego. Subiste as Escadas Monumentais com respeito e entusiasmo. Na Faculdade de Letras, aprendeste com mestres que nunca esquecerás, homens e mulheres que te marcaram para sempre pela sabedoria e pela humanidade. Mas mais do que isso: foste distinguida como uma das melhores alunas da Faculdade, com mérito reconhecido, com esforço recompensado. Fizeste amigos para a vida — daqueles que não se medem pelo tempo, mas pela profundidade das conversas, pelo riso partilhado, pela presença constante.
Depois, partiste para o Além-Tejo. Longe de quem mais amas, sim, mas foi aí que floresceste de forma inesperada. Cresceste por dentro e por fora. Aprendeste a valorizar o silêncio, a companhia de ti própria, a força que tinhas sem saber. Foste competente, determinada e generosa — como sempre foste, mesmo antes de saberes quem eras verdadeiramente.
E, acima de tudo, nunca deixaste de ser tu. Uma menina divertida, empática, com um brilho próprio. Alguém que olha o mundo com compaixão e vontade de fazer a diferença. Que a tua caminhada continue luminosa, Sofia. Que sigas com a mesma integridade, o mesmo amor pelos outros e o mesmo sorriso que trazias quando corrias pelos campos de verão.
Sempre contigo,
Sofia grande




