Inês Biu Faro

por Inês Biu Faro

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Acredito piamente que nunca deixamos de amar quem amámos ao longo das nossas vidas. Se marcámos e fomos marcadas, acredito que esse amor fica para sempre e será irrepetível. Eu sou uma mulher diferente sempre que amo um homem. Ele mesmo há de ser diferente. Amamos muito. Vivemos muito. Todos temos passados, presentes e futuros. E, por isto mesmo, eu sei que já tenho alguns amores para toda a vida e o que vos vou contar não foi «mais um». Foi «um»! Diferente de todos os outros que vieram e dos que ainda virão.

2025 terminou e, com ele, um grande amor da minha vida. Mais um que eu queria que tivesse sido para sempre ou, pelo menos, que tivesse durado mais, que tivesse sido mais estável do que realmente foi.

Não foi uma decisão comum. Na verdade, foi uma decisão minha. Cansei-me de lutar e de esperar. Cansei-me de pedir respostas que eram sempre adiadas — «sobre isso, falamos depois com calma». Cansei-me de estar sempre na dúvida, de amar sem ter a certeza de ser retribuída.

Não me arrependo de nenhum momento com o Trovador que, um dia, pude chamar de «meu». Arrependo-me, sim, das vezes que não lhe disse «amo-te», «quero ser feliz contigo», «quero construir algo contigo». Arrependo-me das vezes que o disse por mensagens, quando devia ter dito olhos nos olhos.

Quando menos esperei, ele entrou de rompante na minha vida. Eu não quis apaixonar-me, não quis voltar a magoar-me, mas foi inevitável. Marcou-me como há muitos anos eu não era marcada.

Escrevi-lhe muitas cartas de amor. Dediquei-lhe muitas páginas no meu Diário. Se algum dia as lerá todas? Não sei. Talvez. Sei que lhe dei todo o meu amor, abri o meu peito, o meu corpo, a minha vida para ele.

As desilusões foram tantas ou mais que as ilusões. Felizmente, nunca superaram o amor que sempre lhe tive e, assim, posso guardá-lo com tanto carinho, preservar uma amizade com alguém que me viu vulnerável como mais ninguém, que me viu despida de mim, que me deu colo e celebrou as minhas vitórias. Assim como eu as suas.

Dei-lhe todo o meu amor, o meu colo, os meus sorrisos e as minhas lágrimas. Criei sonhos e fantasias. «Levei-o comigo» quando viajei sozinha. Levei-o onde quer que fosse, recordando na minha mente os seus conselhos, o seu apoio e a força que sempre me deu.

Quando as saudades apertam, lembro-me da sua voz ao meu ouvido, da sua gargalhada sonora e de como cantava de felicidade o quer que lhe viesse à mente. Lembro-me do brilho dos seus olhos mal nos víamos. Lembro-me dos seus beijos, dos nossos beijos, quentes, melosos, a deixarem suspiros no ar, olhos a brilhar e fome de mais. Sei e sinto que foram únicos e irrepetíveis. Lembro-me de como me pedia para tomarmos banho juntos, para nos abraçarmos e ele poder estar completamente vulnerável e, do alto do seu 1,80 m, encolher-se para caber no meu peito e, com o seu olhar de menino, pedir-me mimo, pedir-me mais beijos e abraços, pedir-me que afogasse o seu cansaço com o meu amor.

E quando, à noite, me custa adormecer, fecho os olhos e lembro-me de como era maravilhoso estar nos seus braços, para acalmar o coração saudoso. Lembro-me de como os nossos dois corpos se fundiam num único e, mais do que físico, havia sentimento, emoção e uma ligação que ia além das minhas forças e vontades. Amei-o como há muito não amava, como nunca amei, nem amarei, nenhum outro.

E, se hoje já consigo usar o pretérito perfeito, é porque decidi mesmo, por mim e para o meu bem, arrumar este amor nas minhas Caixas de Ternura e Baús de Memórias, para o fechar atrás da sua Porta no meu Sótão das Mil e Uma Portas. Dói, como doeram todos os outros. Não quero guardar a mágoa. Quero ressignificar este amor. Já que não foi um amor para sempre, quero que seja um amigo para sempre, quero sentir-me feliz por ele, como quero que ele se sinta feliz por mim. Quero que as nossas órbitas se mantenham próximas, sem nunca esquecer o bem que demos e fizemos um ao outro.

Aprendi com ele o que quero e não quero para mim, num relacionamento. Aprendi a não quebrar os sonhos, mas a equilibrá-los com os pés na terra. Aprendi que não posso ter medo de comunicar. Para o bem ou para o mal, tenho de falar. Tenho de me fazer ouvir e não posso fugir ou querer na minha vida alguém que foge dos assuntos sérios e realmente importantes.

Este amor e, consequentemente, o seu fim, mudou-me para melhor. Tornou-me mais adulta, mais dona de mim, mais dona das minhas vontades e vitoriosa perante os meus medos. Ensinou-me que as acções e palavras do outro falam muito mais por ele do que por mim. Não fui eu nunca quem quis afastar-se, até se ter tornado insustentável continuar por perto e não ter o que me fazia realmente feliz.

Percebi que sou uma mulher completa, cheia de força e carácter, que posso e devo ser uma princesa de coroa no alto, a brilhar como uma diva, mas que também posso e devo ser uma guerreira de espada em punho, para lutar por aquilo que quero e em que acredito. Percebi que quem quer que venha terá de me acrescentar, não completar.

Aprendi com ele a ver-me ao espelho e a reconhecer que sou uma mulher inteira, interessante, maravilhosa mesmo! Aprendi a amar as minhas curvas, as minhas formas. Aprendi a ver-me para além de me olhar. Aprendi a abraçar-me como ele me abraçava. E foi realmente revelador e transformador. Ele ensinou-me a olhar-me com amor, ensinou-me a amar o meu corpo e não só a amar a mulher que sou. Aprendi com ele a ser uma mulher ainda mais intensa, por me dominar a mim mesma, por ter em mim fera e domadora e não ter medo de o demonstrar.

Por mais dor que tenha passado, as transformações que o meu Trovador me trouxe foram todas positivas. Cresci muito. Já nem a ele tolero as mesmas atitudes. Eu mudei, melhorei, tenho-me afirmado como mulher incrível que sou.

Estou no processo de transformação deste amor. Ainda assim, há duas coisas mais do que certas: que amá-lo-ei para sempre e que o meu Trovador entrou na minha vida, e no meu coração, e NUN(O)CA mais vai sair.

About the Author: Inês Biu Faro
Inês Biu Faro
Ainda não conhecia o abecedário quando começou a "escrever". Enchia cadernos com linhas "escritas" à sua maneira, com todos os seus contos de fadas e sonhos. Ao longo da escolaridade, aprimorou o gosto pela escrita e desde que se lembra que escreve diários. Não é fácil ser várias mulheres numa única e só os diários a compreendem, por falar consigo mesma. Escreveu, escreve e escreverá sempre com o coração, com emoção, de uma mulher para tantas outras, de um coração para tantos outros. Tem um manuscrito por editar. Será desta que sairá do forno? Esperemos que sim!

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