por Daniela Rodrigues

O amor, tantas vezes, não chega para ficar e ter um final feliz de conto de fadas. Mas, de cada vez que vem, deixa algo em nós: uma lição, um ensinamento, um limite, vontades, sonhos e a capacidade de continuar a amar, de várias formas.
Tantas vezes, o que precisamos é apenas aprender a amar-nos a nós mesmas, em primeiro lugar — e isso é aquele detalhe fundamental de que, vezes demais, nos esquecemos. Ou de que eu me esqueci.
A vida ensinou-me que não amamos sempre da mesma forma, até porque evoluímos entre um amor e outro. Essa transformação, em nós, também muda o rumo das histórias que vamos vivendo. Aprendemos que temos limites e aprendemos do que gostamos. Talvez haja menos expectativas altíssimas, com o correr da vida. E talvez os anos nos ensinem mais a ver a realidade, o que está por detrás de cada sonho ou a decifrar aquelas conversas fiadas que vão sempre dar ao mesmo ponto – e que não queremos, de todo, no nosso caminho.
Com os anos e os amores que vão passando, aprendemos que nem todas as pessoas vão chegar por bem e que as atitudes valem mais do que muitas palavras. Porque falar bonito qualquer um consegue. Agora, realmente estar, ser, sentir e ficar… mesmo no meio dos dias iguais, dos defeitos e feitios de cada um, das taras e manias que se desenvolvem, isso é para os mais bravos! Para os corajosos. Para os que não temem mudar, ceder numa medida justa para ambas as partes, caminhar em conjunto, sonhar em uníssono.
Os meus amores ensinaram-me a parar. Ensinaram-me a perdoar (mesmo sem esquecer), quando a cobardia fala mais alto e nos tira o chão. Ensinaram-me que, por mais que me roubem o amanhã de uma história condenada ao fracasso, não me roubam o futuro, a vida e os novos amores no caminho. Ensinaram-me que nem sempre vou ser vista e ouvida, ou tida em consideração, mas que isso não me tira o meu valor enquanto pessoa, enquanto mulher.
Mas também aprendi que não se desiste; que há formas de dar a volta aos problemas, de resolver conflitos e de corrigir as falhas. Que, por vezes, basta falar e abrir o coração, dizer o que sempre se foi calando com o passar dos dias por não se julgar ser um momento oportuno para os dramas, para mostrar o que nos incomoda realmente. Porque aprendi que calar deixa dor, deixa demasiados «ses» soltos nas ideias, destrói em pedacinhos o que demorou anos a construir e, pior, abre a gaveta do rancor. E essa eu não a quero aberta no amor – prefiro que fique esquecida num lugar fora de alcance. Calar é matar aos poucos. O amor precisa de voz para crescer e florir no meio das ervas daninhas. Caso contrário, sufoca e acaba por morrer.
Houve um tempo em que acreditei que o amor existia apenas de uma forma. Hoje, sei que ele muda, cresce, ensina. Hoje, sei que o mais bonito é ver-nos seguir esse mesmo caminho, também nós a mudar, a crescer e aprender o que o amor nos mostra em cada dia que passa, em cada etapa que vivemos.
Hoje, sei que amar é muito mais do que só ter alguém do nosso lado. É caminhar juntos. É contornar os obstáculos em par. É saber que, nas coisas boas e nas coisas más, não estamos sozinhos – está ali alguém, a vida inteira, para nos abraçar, para nos dar aquele mimo, para nos fazer aquela carícia, para nos alertar ou dar aquele raspanete (mesmo que acabe sem efeito), para preparar aquele prato de que tanto gostamos ou nos levar a jantar fora só porque sim. É construir juntos um caminho mais seguro, uma história mais nossa, um futuro mais feliz e preenchido. É irritarmo-nos com aqueles pormenores de sempre, que não mudam porque fazem parte, e, ao mesmo tempo, rir de parvoíces que já só a nós fazem sentido.
Amar não é ser perfeito todos os dias, nem estar feliz a toda a hora. Mas é amor quando sabemos que é ali que queremos estar e que não faz sentido de outra forma, mesmo nos dias mais amargos – porque os há sempre.
Amar é crescer, juntos, de uma forma só nossa. Mesmo que o mundo inteiro nem repare no que ali está a crescer – porque o amor não é para ser gritado, é para ser vivido e sentido em cada pedacinho do que ele implica, desde as borboletas no estômago até aos arrepios na pele.
E eu sou uma sortuda por ter amado e crescido em toda a minha caminhada até aqui, em todas as pessoas que passaram pela minha vida e me ensinaram algo, sem definirem quem sou hoje. Porque, a julgar pelo que vivi, poderia ser «o lobo mau», se fosse igual a tanta gente. Mas a verdade é que continuo, teimosamente, a ser a Cinderela, com um Príncipe Encantado e uma família atípica, só minha. A Cinderela com a sensibilidade à flor da pele, com a mania de acreditar e sonhar e com o coração sempre cheio de amor.
Porque o amor tem essa mania de crescer sozinho e, quando se pensa que já é muito, ele encontra forma de se multiplicar e não findar.




