por Inês Biu Faro

Conheci o mundo do Tarot e da Astrologia há 12 anos, quando, para sair de um esgotamento, me foi estendida a mão de uma amiga. Levou-me a uma das suas aulas. Precisavam de cobaias para treinar leituras e eu, como curiosa deste mundo, aceitei.
A primeira coisa que me foi dita foi «larga a mochila!». Realmente, tinha a minha mochila no colo e repetiram: «larga a mochila! Tens um peso gigante em cima de ti!» E chorei… a primeira de muitas vezes em que chorei ao serem-me ditas coisas que eu não reparava, mas estavam em mim.
Na semana seguinte, tive uma consulta privada com o Mestre e o convite para, em Setembro de 2013, assistir a uma palestra para conhecer o Tarot e para, em Outubro, fazer parte da turma daquele ano.
Não resisti. A palestra foi muito interessante e o curso tornou-se uma ferramenta para me conhecer melhor e para ajudar outras pessoas. Das cartas aos astros foi um saltinho — afinal, estão todos cruzados e entrelaçados.
Lembram-se da revista Bravo? E da Super Pop? A Super Jovem? Todas essas revistas para adolescentes já traziam páginas de previsões astrológicas. Sabia o meu signo, o seu significado, e queria saber os signos de quem me rodeava: via compatibilidades, tudo! Sem perceber ao certo. Até seguir esta via e acabar por perceber que entendo mais do que pensava.
Em 2026, já conto com dois anos de curso de Tarot e vou no quinto ano do curso de Astrologia. Ali, pelo meio, fiz uma pausa, mas regressei e mudei de turma. Tenho, agora, um grupo de amigas maravilhosas e tenho no meu Mestre um dos meus melhores amigos, que me conhece até pelo piscar de olhos ou pelo sorriso – ou ausência dele.
Com o tempo, decidi que o Tarot é para me ajudar a mim e aos outros, e que a Astrologia é para me conhecer mais a mim, como se auxiliasse a psicoterapia. E foi este grupo de amigos que mais me incentivou a começar a abrir os horizontes e dar as minhas consultas de Tarot. E não é que tenho mesmo jeito? Não é só jeito. É dom, é intuição, é não ter medo de falar mais além do que é esperado e ter a perfeita noção de que não estou a prever o futuro. Estou, sim, a falar sobre energias e momentos que possam ou não acontecer. Até porque a primeira lição que temos sobre as ciências esotéricas é que, acima de tudo, está o livre-arbítrio de cada um! Não é futurologia, como tanta gente pensa e vai ao engano a tantos charlatões.
Sinto-me realmente feliz a dar consultas, a dar um pouco do meu colo, como quando sou eu quem tem estas consultas com o Mestre. Não sou psicóloga – e respeito muito estes profissionais de saúde –, mas é um conforto que muita gente procura antes de se entregar à psicoterapia. Aliás, na grande maioria das vezes, quem procura o Tarot já tem as respostas em si — precisa, apenas, que outra pessoa as verbalize e conforte pelas decisões que tomar. Um apoio moral externo sabe sempre bem.
Para não falar da quantidade de pessoas que já espantei por, mal as conhecer e com dois dedos de conversa prévia, conseguir saber tanto das suas vidas.
Ainda assim, não adivinho nada. Ouço os meus guias espirituais e deixo-me levar. Não sei o que são estes guias, quem são, se existem realmente ou não, se são entidades paranormais ou físicas, mas agradeço-lhes sempre a ajuda que me dão, por me tirarem os véus cor-de-rosa e ajudarem a ver a realidade como ela é, para ajudar seja quem for, estender um laço de afecto, como aquele que me é estendido quando peço eu ajuda.
Mais do que «bonecos coloridos e naipes» e «riscos e símbolos numa circunferência», o Tarot e a Astrologia têm-me aproximado e afastado de muita gente. Tenho aprendido a resgatar a Inês criança e a dar o seu melhor à Inês adulta. Tenho criado laços de afectos com pessoas que, muito provavelmente, não iria conhecer se não fosse por este meio – tanto que todos brincamos ao dizer que o nosso Mestre não junta pessoas ao acaso. Tenho aprendido, sobretudo, a ouvir a minha intuição sempre que fala de dentro de mim — às vezes, até grita.
Gosto de abrir um mapa e conseguir ver onde está cada planeta, cada casa, a energia que me transmite e o que posso relacionar. E, ao mesmo tempo, relacionar os mapas astrais de pessoas próximas com o meu próprio mapa – os dos meus pais e do meu irmão, por exemplo. Durante as aulas, «caem-me muitas fichas», e ao longo dos dias seguintes continuam a cair. O facto de deixar a minha mente aberta a mais autoconhecimento e dar voz à minha intuição torna-me mais forte e conhecedora da minha personalidade, do que posso mudar para evoluir. Foi aqui que percebi o que é «um caminho de vida» e que não precisamos de acelerar nada, apenas aprender, aproveitar e ultrapassar.
Tornei-me sensível às energias que me rodeiam. Comecei a lidar melhor com as minhas mudanças de humor e com os pesos de cada fase dos planetas – sim, o Mercúrio retrógrado existe, só não é o exagero todo que lhe impõem.
Não queria ser esta pessoa, mas instintivamente comecei a olhar para os signos das pessoas mal as conheço. Ou, antes, a reconhecer certas características de base e depois vir a confirmá-las. A julgar pelo signo, mesmo! – risos.
Sei que me ligo a pessoas de signos de Água, sinto atracção por signos de Fogo, os nativos de signos de Ar dão-me cabo da paciência e os nativos dos signos de Terra acabam por me transmitir mais calma e maturidade – dependendo da pessoa, claro.
Aprendi vocabulário novo que se tornou normal no meu dia-a-dia: ascendente, sol, lua, descendente, meio do céu. E acreditem: Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter, Saturno, Úrano, Neptuno e Plutão não são só as Navegantes da Lua e astros na galáxia. Há séculos que são estudadas as suas influências nas nossas personalidades e, até, Fernando Pessoa as estudou, tendo criado mapas astrais para os seus principais heterónimos.
Não é fácil. Exige estudo, dedicação e muita mente aberta, muita disponibilidade para enfrentarmos medos e permitirmo-nos ser vulneráveis perante pessoas que só vemos uma vez por semana ou por mês. Estarmos de peito aberto ao que vier e àquilo que procuramos.
Eu procurava paz, procurava satisfazer a minha curiosidade e aprender coisas novas sobre um assunto que sempre me interessou. Procurei conhecer-me melhor. Não sabia que iria encontrar um dom, um coração ainda maior e mais disponível do que aquele que achava que já tinha.
Os Astros, mais do que conhecimento, trouxeram-me Afectos, muitos afectos. Trouxeram-me amigos para a vida inteira, amigos que festejam alegrias comigo, que me dão colo quando quebro, e ganhámos todos um espaço onde podemos ser aquilo que quisermos, sem julgamentos.
Juntei Astros e Afectos há 12 anos, que parecem 20, para nunca mais os separar.




